Todos cruzados desunidos foram cruzados esmagados. Otimismo: das tendências nacionais mais radicadas

Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, 1° de outubro de 1994

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

Se eu tivesse feito essa reunião há quinze dias atrás, a maior parte dos senhores me teria dito, teria pensado consigo: “É, Dr. Plinio dessa vez foi um pouco pessimista. Quem sabe se, nesses quinze dias vai acontecer alguma coisa e tudo muda de jeito?” O otimismo é uma das tendências nacionais mais radicadas.
Ora, o que me parecia era que não ia mudar nada. E que nós estamos de encontro a esse ponto de interrogação, contra o qual nós estamos esmagados como se houvesse atrás de nós uma locomotiva e aí o paredão. A locomotiva andará, andará, andará, até nos esmagar no paredão. No dia que for a surpresa, o que fazer? Só Deus sabe.
Os que nessa hora pertencem à TFP, fazem parte direta ou indiretamente, esses terão uma responsabilidade de consciência tremenda diante de Deus. E eu o digo sabendo que o que eu estou dizendo – eu digo coram domine, na presença de Deus –, e é o seguinte:
Uma coisa não pode ser surpresa, uma coisa é certa e é de um alcance capital. É que a TFP tem que enfrentar essa surpresa – seja ela qual for – repleta, estuante de confiança em Nossa Senhora. [aplausos]
E em segundo lugar, cada membro da TFP individualmente tem obrigação de colaborar para que no momento em que nós estivermos entre a locomotiva e o muro – já estamos tão perto dessa situação – nós possamos ter aquela integridade altaneira e combativa de um Godofredo de Bouillon, de um Rei Balduíno, Leproso, de Santa Joana d’Arc.
Quer dizer, aconteça o que acontecer nós temos que saber bradar: “as vozes não mentiram”! [aplausos e brado: Por Maria! Tradição, Família, Propriedade!…]
Nós temos que estar mais unidos do que nunca. E se há uma hora em que todos nós devemos perdoar tudo uns aos outros, para comparecer “sicut acies ordinata”, é essa.
Fricotes, questõezinhas, amores-próprios sobretudo, vontade de aparecer e coisas dessas, sejam malditas entre nós.
Porque estes que levantarem questiúnculas e coisas nesta hora, fariam da TFP o que fizeram de certas cruzadas alguns cruzados. Quer dizer, na hora de aguentar o impacto do adversário ou, coisa muito melhor, na hora de escalar os muros do adversário, eles não avançaram porque tinham questõezinhas: “Essa lança é minha!”, “Não, não é sua”, “Eu vou na frente porque tenho precedência, meus antepassados são mais ilustres que os seus”; “É verdade, mas eu combato melhor que você”.
Não é dizer só que a união faz a força – é uma banalidade – evidente que faz. Mas, principalmente o que tem é o seguinte, dão desunião e se retira Nossa Senhora.
Todos os cruzados desunidos foram cruzados esmagados. É preciso muito notar isso.
E, portanto, o que é preciso antes de tudo e acima de tudo é confiança. Confiança, portanto, união com Nossa Senhora e por meio dEla, com o Divino Filho dEla, o Divino Esposo dEla, o Divino Pai dEla, quer dizer, com as três Pessoas da Santíssima Trindade.
Depois, é preciso ter uma completa ausência de rivalidades, de coisas desse gênero e uma só vontade: esmagar a Revolução e instaurar o Reino de Maria! [aplausos]
Aqui entra uma questão de vida espiritual: como esmagar esses defeitos, que à primeira vista parecem pequenos porque nos catálogos de pecados mortais, veniais etc., exames de consciência, essas coisas não figuram definidamente como pecados mortais, porque realmente de si não são.
Mas, a questão é que ter um defeito quando não se leva atrás de si sobre as costas o peso da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma coisa. Outra coisa é ter o mesmo defeito com o peso da Cruz nas costas. Aí flectir e não avançar e perder tempo com coisinhas, é profanar a Cruz, é insultá-la e a cair esmagado na luta que se deveria sustentar.
Lembra aí o dito, foi lembrado ontem à noite na reunião, daquele bem-aventurado [santo] francês padre Garicoïts que pintou uma frase da Escritura na fachada de um dos prédios da congregação que ele fundou: “Maldito aquele que faz de um modo negligente o trabalho do Senhor – Maledictus qui facit opus Domini fraudulenter” (Jer 48,10).
Meus caros, eu estou aqui à disposição, se alguém quiser me fazer uma pergunta eu sou todo ouvidos.

Contato