Sucessão, autonomia e liderança na TFP – Dr. Plinio responde à Folha de S. Paulo (com áudio e texto)

Rua Alagoas, 350, 1o. andar – entrevista para a “Folha de S. Paulo”17 de agosto de 1984

 

 

 

Repórter: Está bom. Então, só três perguntas finais: voltando ao Sr., como é que está sua saúde?)

Eu não esperava essa pergunta… [risos]

É uma preocupação que é curiosa, muito frequente – não quero lhe inscrever nesse rol – entre os que me são adversos. E não frequente entre os que me são chegados, os que me são simpáticos. Gente muito oposta à TFP pergunta: “Mas como vai ser quando o Plínio morrer? É preciso preparar um sucessor!…”

(Repórter: É aí que viria minha pergunta, quer dizer, como é que vai ser o sucessor…)

“…é preciso preparar um sucessor!” Então gente muito contrária a nós se toma, subitamente, de angústias, com medo que a TFP desapareça ao eu morrer. O que eu acho – em francês se diz – “cocasse”, eu acho “cocasse” [engraçado, curioso, n.d.c.].

Pelo contrário, os que nos são simpáticos não me fazem essa pergunta. Não quero dizer que o senhor seja antipático à TFP, não estou perguntando o que o senhor acha da TFP.

Bom, a minha resposta é a seguinte: a minha saúde, graças a Deus, é boa. Neste sentido da palavra que eu trabalho 24 horas por dia. Um horário que poderia ser melhor, estou sujeito a dois regimes porque sou diabético e depois tomo cuidado para não engordar, com desespero para meus inimigos – a palavra inimigos é um pouco dura – meus adversários…

 (Repórter: Oponentes.)

Oponentes, oponentes. Com desespero para eles, eu tenho o coração e a pressão em perfeita ordem. No meu último exame médico, o médico dizia que era como um relógio suíço… Eu lamento dar essa informação, mas sou obrigado a ser veraz…

Bem, agora tem o problema de minha sucessão. Porque, morre-se de repente em qualquer idade, especialmente na minha. E então existe o problema da minha sucessão.

A minha sucessão está amplamente preparada. Só não preparei o sucessor. O senhor dirá que é um paradoxo.

 (Repórter: Não entendi.)

É, não dá para entender, mas vou explicar e o senhor entenderá. A TFP tem muitos departamentos, muitas seções etc., etc., e pratica  internamente uma autonomia que, se o senhor conhecesse, o senhor ficaria pasmo. Começa por aí que estatutariamente toda parte econômica, financeira, administrativa, tem uma diretoria à parte da qual eu não pertenço. Aliás, não entendo patavina… quer trocar a sua [fita]…

(Repórter: Não, vim preparado para duas fitas. Mas…)

Eu tenho fita aí.

(Repórter: Eu trouxe. Não, estava preparado. Um minuto só, por favor.)

Eu dizia que não entendo patavinas de finanças e nunca daria um bom administrador de coisas financeiras, me alheio a isso. Bem, mas mesmo na parte propriamente doutrinária e operativa da TFPnessa parte que depende da direção de um Conselho Nacional, do qual eu sou Presidente, nesta parte, eu dou muita liberdade de movimentos, e muita autonomia.

De maneira que a TFP estando em conexão com 15 outras TFPs no exterior, quatro bureaux em outros países, com um mundo de contatos dentro e fora do País, de toda ordem para desenvolver, eu preciso de pessoas incumbidas largamente disso e que eu controlo – controlo, a palavra não está bem – eu acompanho e me dizem o que estão fazendo, em linhas gerais…

(Repórter: Incumbidas de?)

Dos mais variados serviços, contatos no estrangeiro etc., etc., biblioteca, seção de leitura, seção de estudos, seção de propaganda, serviço de imprensa, um mundo de seções, tudo isso está largamente distribuído. E habitualmente praticam uma grande estabilidade. É muito difícil quem está num cargo que eu proponha a remoção dele.

Se com toda essa liberdade de ação, da própria ação autônoma não surgir chefes, é porque é inútil, então a TFP não… e, com pesar dos adversários, ela tem que morrer…

Eu estou certo que eu não estou preparando a candidatura de ninguém, por isso que eu disse que eu não tenho sucessorA sucessão está preparada porque a direção na TFP prepara o sucessor, uma série de sucessoresQuando eu morrer, eu não irei para a “Montanha dos Profetas”, isso é certo! Irei provavelmente para o Purgatório e, na Terra, elegerão quem quiserem.

(Repórter: É uma eleição dentro?)

É uma eleição, é. Eleição, elegem quem quiserem.

(Repórter: Quantos sucessores o senhor vislumbra aí para serem eleitos?)

Eu não sei bem, pelo seguinte: eu já me perguntei isso às vezes. São tão diferentes os ângulos que podem prevalecer como critério de escolha que eu não sei o número de sucessores também não sei bem qual seria, portanto, o número de candidatos. Eu creio que ninguém se candidataria, mas que haveria propensões destes por x, y ou z; outros por z, x, e assim por diante.

Quem venceria? Não sei.

(Repórter: Tudo bem. Eu acho que eu tenho só que agradecer.)

Eu dei ao senhor uma entrevista tão grande que não cabe no jornal.

(Repórter: Pois é, é isso que eu ia falar.)

Nota: Para a transcrição integral desta entrevista, clique aqui.

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