Santo Inácio de Loyola: iluminação súbita e resolução de Anjo – a perfeição da decisão católica

                       Palavrinha na Sede do Reino de Maria – 2 de agosto de 1989 – Quarta-feira

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

Santo Inácio de Loyola, para entender bem que impressão ele me dá, é a seguinte. Precisa tomar o espírito das pessoas, a mentalidade comum das pessoas como a gente conhece, pessoas que andam pela rua, a gente nota que têm uma dificuldade muito grande de, admitido um princípio, chegar até às últimas consequências.
Então, por exemplo, um princípio: não se deve roubar, por exemplo. Então, admitido o princípio, a consequência última: se há um mandamento dizendo “é proibido roubar”, quem lesa grave­mente esse mandamento vai para o inferno.
Agora, então o que é o inferno? O inferno é isso, aquilo, aquilo. Lugar eterno de tormento etc. Faz a descrição mais completa e mais terrível do inferno que se possa imaginar.
Consequência: não se pode roubar, não se pode cometer o pecado de roubo, porque quem comete vai para o inferno.
Vem um espírito acomodatício dizendo: “Não, pode ser que você ainda se arrependa antes de morrer…”
Resposta de Santo Inácio: “Cuidado! Pode ser. Mas se você rouba com essa ideia de que Deus talvez te perdoe, Deus é levado a te perdoar mais dificilmente. Porque você faz o seguinte raciocínio: eu dou uma bofetada nEle, porque Ele provavelmente me perdoa depois. Então, é porque Ele é bom que eu O estou ofen­dendo. Se Ele não fosse tão bom eu não ofenderia. Mas como Ele é bom, eu estou ofendendo”. Acende a cólera de Deus.
Ele diz: “Então, de minha bondade você faz uma razão para me ofender? Eu me encolerizo mais com você!!”
Todo mundo age assim. Se vem um mendigo, me pede um dinhei­ro, eu vou e dou o dinheiro para ele. Ele me dá uma gargalha no rosto depois que está o dinheiro no bolso e grita: “Cretino!”
O que é que eu faço com esse mendigo? Pergunto:
– Cretino por quê?
– Porque eu, no seu lugar, não daria um tostão para ninguém. Eu guardava o dinheiro para mim.
A vontade é pular em cima dele, arrancar o dinheiro e di­zer: “Está bom, agora aprenda!” Depois umas bofetadas, um pontapé e jogo no chão. Não é o que eu faria, mas a vontade é essa… É evidente!
Mas isso nos mostra a perfeição de Deus até onde vai.
Então: “Cuidado! Você agora tornou a sua alma mais próxima do inferno. E como muita gente morre de repente, ainda mais nas nossas cidades modernas – que ele não previa – como é fácil morrer de repente! Você de repente vai para o inferno! Agora, pense aí: castigos eternos, infelicidade completa, tormento sem remédio. Por quê? Porque roubou para ter um prazer. Valeu a pena? Quem é você para dizer que valeu a pena?!
“Então, não seja louco! Arrependa-se imediatamente do seu pecado, peça perdão a Deus, confesse-se logo, porque do contrário você pode morrer antes de ter recebido a absolvição sacramental. E restitua à pessoa o dinheiro que você roubou, e depois faça uma penitência, para lavar o crime que você cometeu. Depois você pode ter esperança de salvar a sua alma, ao longo de uma longa vida…”
Ah! Verdades, verdades, verdades… Isso Santo Inácio nos faz ver num lance de olhos! Antes de cometer o pecado, já via, já contava, já pesava, já media: tá, tá.
Também o Céu: “A Igreja está atacada, o protestantismo – o protestantismo era a grande heresia do tempo dele – está avançando. Cuidado! As almas estão se perdendo etc. Você, se lutar contra o protestantismo, você será amado de Deus, porque terá defendido a Deus no momento em que a causa d’Ele precisava. Veja como Deus merece isso. Deus é infinitamente bom, infinita­men­te perfeito, é o seu Criador, é o seu Redentor, Ele fez tais e tais coisas por você. E você agora não tem coragem de ir atacar os protestantes que estão atacando?!”
Bom, mas as consequências vêm como um relâmpago no espírito dele. Mas com as consequências vem também a resolução: “Porque devo fazer, farei!”
Então, ele não tem vacilações imbecis, moles, de frango molhado que fica correndo de um lado para outro; mas vai como uma águia até as consequências! Mas também não é desses homens débeis, moles, que vendo o que deve fazer, leva muito tempo até resolver o que vai fazer mesmo. Não! Se eu devo fazer, eu faço!
Essa iluminação súbita e esta resolução de Anjo são as coisas que me entusiasmam em Santo Inácio de Loyola. E são as coisas com que eu aprendi, pelo que os jesuítas explicavam – eu era aluno deles – da vida dele etc. Naquele tempo não havia o progressismo, de maneira que tudo se explicava direito etc., eu aprendi com encanto, e entendi que deveria ser para mim o programa de minha vida.
De maneira que até hoje eu rezo a Santo Inácio de Loyola. Eu tenho duas relíquias dele em casa: uma que é uma relíquia como todo mundo tem; e outra é uma teca grande, muito ornada, presen­te de Dr. Luisinho, que é relíquias de todos os Santos da Companhia de Jesus! Todos os santos, portanto, que tiveram o espírito dele de um modo excelente. E a quem eu presto uma veneração de toda a minha alma. Porque considero que Santo Inácio de Loyola está no fundamento do tipo de perfeição que eu quero realizar.
E se eu não gosto da música-cançoneta e gosto da música vigorosa… Cançoneta é a indecisão! É até superficialidade, é a moleza. A música vigorosa é o espírito de Santo Inácio.
Em duas palavras eu consegui responder a sua pergunta. E agora já vou para outras coisas.

Nota: Para muitas outras matérias de Dr. Plinio a seu respeito (reuniões, artigos etc.), consulte a coletânea ESPECIAL clicando aqui.

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