Por que o vermelho e o dourado para os símbolos da TFP? – Idealismo, Fé, esperança e caridade

Auditório do Clube Espéria, Conferência no Encontro de Correspondentes Esclarecedores, 4 de agosto de 1985 (perguntas e respostas – continuação)

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

Assim eu estou certo de que a TFP tem um meio de comunicação tal que, se me oferecessem um rádio, uma televisão, um jornal, eu aceitaria com alegria. Mas se me oferecessem em troca de não fazer mais campanhas em público, eu diria: muito obrigado! Fiquem com seus engenhos para lá! (Aplausos).
Uma outra pergunta que é assim:
Por que usa capa vermelha, estandarte vermelho a TFP?
Me parece que a palavra “vermelho” repetida duas vezes significa uma certa ênfase e significa o seguinte: porque o senhor que poderia ter feito o fundo de quadro do estandarte da TFP com outra cor, escolheu o vermelho? Porque o senhor para sua lapela que usa, a lapela dos membros do Conselho Nacional [da TFP] escolheu o vermelho?  Porque o senhor para o estandarte escolheu o vermelho, para a capa escolheu o vermelho?
Que relação há entre o vermelho e a TFP?
Eu creio que a pessoa que fez a consulta, poderia até ter levado um pouco mais longe a sua pergunta: “o senhor põe um leão dourado sobre um fundo vermelho. As cores russas, a bandeira russa soviética são sobre um fundo vermelho também, uma foice e martelo dourados. Que relação há entre aquele vermelho e esse? Aquele dourado e esse? O que significa isso? O senhor teve uma intenção de contraditar fazendo isso?”
Eu me lembro perfeitamente de que, quando eu excogitei o estandarte da TFP e depois a capa, e antes de pôr em funcionamento consultei os membros do Conselho Nacional, consultei as pessoas que eu costumava consultar, depois ouvi nosso plenário que aderiu com calor, quando eu resolvi isto, eu não me lembrei, mas nem de longe me passou pela cabeça o estandarte russo.
E se me tivesse passado pela cabeça, eu talvez não tivesse implantado, não tivesse adotado essas cores. Mas, tudo bem pensado, eu achei que foi bem feito.
Por que eu quis o vermelho? Que relação há entre o vermelho e a TFP?
A TFP representa no panorama ideológico dos países onde as TFPs existem, uma TFP representa uma posição contra-revolucionária. É uma posição, portanto, que está de costas voltadas, ou está de frente voltada, mas de lança em riste para um futuro que vem vindo por imposição de uma determinada corrente, e que ela não quer como futuro do mundo. Ela representa, por outro lado, uma nostalgia de um passado cheio de glórias, mas que ela espera que nos seus elementos essenciais volte ao mundo com o Reino de Maria.
Então a TFP, nesta posição tinha contra si uma dificuldade: é que a história das contra-revoluções é até certo ponto a história de fracasso e das derrotas. Ela conhece glórias, houve movimentos contra-revolucionários gloriosos, mas eles foram jogados por terra. E quando nós examinamos a razão desta derrota, ou destas derrotas, nós encontramos com freqüência que foi uma certa moleza, um certo “deixar estar”, uma certa tibieza que caracterizou em momentos decisivos aqueles que eram, entretanto, os porta-estandartes da Contra-Revolução.
Os temperamentos nostálgicos apresentam algumas belezas de traços de alma, mas de outro lado apresentam, com frequência, algumas fraquezas.
Nós tínhamos a esperança de que, com a graça de Deus e a intercessão de Nossa Senhora, nós levássemos na alma a nobreza desinteressada das justas nostalgias. Mas, de outro lado também, nós carregássemos na alma todos os futuros, todos os ardores de quem sabe que prenuncia o futuro.
E por isso eu queria, como cor simbólica nossa, para fazer sentir aos outros e a nós mesmos que as evanescências do passado, com elas não tínhamos nada de comum, com as molezas do passado nada tínhamos de comum, que tínhamos um compromisso conosco mesmo e com Nossa Senhora, nossa Rainha, de sermos batalhadores verdadeiros pelo combate incruento, legal, mas contínuo, contra ventos e mares, eu escolhi o vermelho como afirmação desta intenção! (Aplausos).
E por que o dourado?
Eu li, alhures em São Tomás, que a cor é tanto mais bela quanto mais ela reflete de luz. O dourado é a cor mais luminosa, no meu modo de entender. Não do ponto de vista estritamente físico, mas do ponto vista artístico, eu tenho impressão – pode-se pensar de outro jeito, evidentemente, é minha impressão pessoal – que o dourado carrega mais cor do que o branco. Se o sol fosse cor de pérola, o céu seria meio “sem gração” [insonso]. Ele sendo meio dourado, nesse reluzimento dourado está o esplendor dele.
E assim me pareceu que ouro sobre vermelho, era vida sobre vida, heroísmo sobre heroísmo, idealismo sobre idealismo, fé, esperança e caridade!
(Aplausos).

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