Por que a TFP não conseguiu impedir o divórcio no Brasil e tem barrado a Reforma Agrária socialista?

V Encontro de Correspondentes Esclarecedores da TFP, Buffet Umberto (São Paulo), 3 de agosto de 1985 – Perguntas e respostas (continuação)

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

Duas explicações finais. Um Correspondente fez esta pergunta: “Dr. Plinio, sempre que se trata de propriedade, os senhores fazem uma campanha e evitam a reforma agrária. Por que é que os senhores não evitaram o divórcio?”
Esse nosso simpático Correspondente, ou essa Correspondente, afirma algo sem base na realidade. Nós fizemos o possível para evitar o divórcio!
A penúltima campanha que nós fizemos contra o divórcio, valeu-nos pura e simplesmente o seguinte: nós deitamos tanta gente à rua para lutar contra o divórcio, e foi uma campanha tão vitoriosa, que uma revista que se publica em São Paulo, mas uma revista de grande circulação, noticiou que – eu não vou dar nomes aqui – “x”, um personagem do mundo político, não é um eclesiástico, ‘x’, mais ‘y’, — pessoas chave no mundo governamental daquele tempo, um era de Brasília e outro daqui de São Paulo, que tinham estado juntos em confabulação aqui em São Paulo, a respeito de sei lá o que, tinham visto a campanha contra o divórcio. E tinham chegado à conclusão de que tinha passado o momento de fazer a luta só contra o comunismo, que havia também o extremismo de direita, que estava perigoso. E que era preciso perseguir este extremismo de direita.
E pouco tempo depois, arrebenta um estrondo publicitário contra a TFP, que dá na Comissão Parlamentar de Inquérito contra a TFP no Rio Grande do Sul — e que dá depois no fracasso da Comissão — e os jornais todos, rádio e televisão, simplesmente varreram o Brasil inteiro com difamações contra a TFP.
Durante este tempo, a TFP não perdeu um sócio, um cooperador – ainda não havia Correspondente – não perdeu nada, não perdeu um doador, e continuou impávida, e atravessou do outro lado! [palmas]
Agora, isso foi porque, para perseguir a TFP por causa do divórcio [que] não pode entrar naquela vez.
Na última vez [1977], nós avisamos. Eu digo com toda veneração, mas nós avisamos que — e pelos jornais, pela “Folha de S. Paulo” de que eu era colaborador quase semanal naquele tempo — o Episcopado está lutando muito menos contra o [divórcio] do que das vezes anteriores [16-5-1977]. E sem que o Episcopado lute, só uma organização de leigos lutar, não dá resultado, nós não seguramos.
Algum tempo depois, o Sr. Cardeal D. Eugênio Sales, Arcebispo do Rio de Janeiro, escrevendo num jornal que eu tenho guardado no nosso arquivo, ele dizia o seguinte: ele comentava a personalidade do falecido cardeal de São Paulo, D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. Ele dizia, entre outros elogios que ele fazia, ele fazia o seguinte: que era um opositor acérrimo do divórcio. É verdade.
Depois tem esse comentário: “Nós devemos reconhecer em consciência que, talvez, se nós tivéssemos – nós bispos -, lutado mais contra o divórcio, ele não entraria no Brasil” [O Globo, 21/9/1982].
A TFP não pode assumir sozinha a responsabilidade de cortar o passo ao divórcio, como não pode assumir sozinha a responsabilidade de cortar o passo à reforma agrária! Se em matéria de divórcio os bispos não agem, se em matéria de reforma agrária os fazendeiros não agem, nós sozinhos não podemos fazer nada! Que ilusão é esta?! Pensam que nós temos uma vara de condão, de onipotência na mão?! Não temos!
Santo Agostinho tem essa frase famosa: “Qui creavit te sine te, non salvabit te sine te – quem te criou sem ti, não te salvará sem tua colaboração” (Sermão CLXIX, 13). Se isso é do próprio Deus, quanto mais de uma organização terrena, contingente, que os ventos e as areias da História podem tocar de um lado para outro… Não temos esse poder! Nós precisamos que os interessados naturais, os advogados naturais de cada causa, lutem por ela. Estamos ali para ajudar. Mas nós não temos o poder que tem o Episcopado; não temos o poder, em matéria de reforma agrária, que tem a classe rural.
Agora, se os líderes da classe rural não lutarem contra a reforma agrária, pode ser que ela entre no Brasil! E não será a TFP que será responsável por isso…
Há uma pessoa a quem um dos nossos coletores de donativos pedia um donativo, e que dizia: “Eu não faço questão da propriedade privada – é um homem muito rico, dos tais que tem o execrável vício de ser comunista de salão; comunista de sacristia e comunista de salão tornam ainda mais odioso o comunismo.
Bem, o rapaz respondeu o seguinte: “O senhor está falando com um homem que não é dono de nada, e que luta pela sua propriedade, não por ser sua, mas por um princípio. Esse princípio é um Mandamento da lei de Deus. [São] dois Mandamentos da Lei de Deus: “não furtarás” e “não cobiçarás as coisas alheias”.
Então, os titulares, os donos das próprias coisas que se cuidem! Os mantenedores desse princípio, que lutem! A TFP estará ao lado deles. Nunca eu prometi a ninguém que contra todos os ventos e contra todas as marés a TFP resolveria todos os problemas. Seria uma presunção, seria uma charlatanice. Não sou culpado disso!

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