Papel especial de Maria nos últimos tempos em que brilhará como nunca em misericórdia, força e graça

Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, Santo do Dia, 18 de março de 1992

 

A D V E R T Ê N C I A

Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.

Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

… e por isso vamos tratar do que está exposto no Tratado da Verdadeira Devoção, números 37 a 59.

Em suma esses trechos discorrem sobre o seguinte ponto:

“A devoção à Santíssima Virgem será especialmente necessária nesses últimos tempos: Papel especial de Maria nos últimos tempos.”

E depois esta outra ideia:

“Deus quer, nesses últimos tempos, revelar-nos e manifestar Maria, a obra-prima de suas mãos” (…)

Esse segundo pensamento pede um comentário rápido para depois nós passarmos ao texto.

Dá a idéia de que Deus vai revelando sucessivamente as maravilhas de suas obras aos homens. Não só as maravilhas naturais, mas também as maravilhas sobrenaturais e que, portanto, cada vez mais, à medida que a iniqüidade vai se tornando mais profunda, mais terrível etc., etc., Deus vai redargüindo, manifestando mais as suas belezas. E é, propriamente, a resposta mais profunda de Deus ao processo revolucionário.

A História da Igreja mostra precisamente isso, que ao par do desenvolvimento da Revolução, a Igreja vai desenvolvendo a doutrina a respeito de Nossa Senhora com verdades de Fé novas, e até dogmas novos, e até há pouco tempo atrás impulsionando tanto quanto possível o progresso da devoção a Maria, de maneira que essa devoção se torne mais esclarecida, mais compreendida no seu conteúdo, mais devidamente amada portanto, e mais venerada pelos fiéis.

De maneira tal que, com motivo e não apenas por emoções de caráter sentimental, mas com motivo baseado em verdade de Fé, em dogmas, os católicos vão cada vez mais se tornando devotos de Nossa Senhora, e compreendendo Aquela que é a obra-prima das mãos de Deus entre as meras criaturas, quer dizer, Nossa Senhora.

Nossa Senhora é a obra-prima entre as meras criaturas, e à medida que o tempo vai correndo, Ele vai mostrando nesta obra-prima aspectos mais maravilhosos. Então, se compreende que nos últimos tempos – nós devemos ver por que é que se chama os últimos tempos – o esplendor de Maria Santíssima, e se entende evidentemente mais do que tudo, o esplendor de alma de Maria Santíssima, esse esplendor deve se revelar de modo sempre mais magnífico.

* O que são os últimos tempos? 

Agora, o que é que são os últimos tempos?

Muitas pessoas lendo o “Tratado” assim um pouco rapidamente, podem ter a impressão de que os últimos tempos são os tempos que vêm imediatamente antes do fim do mundo. Não é bem isso.

Nós estamos nos últimos tempos, mas os últimos tempos não se confundem com o fim dos tempos, nessa linguagem. O fim dos tempos é o período do Anticristo, e depois do que se segue: a vinda de Enoque, de Elias; o assassinato de Enoque e de Elias; depois, que ficam três dias estendidos em praça pública; a perseguição dos justos etc. Afinal, a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo que, com o sopro de sua boca aniquila o Anticristo, e declara que a História está encerrada e começa então, a ressurreição de todos os mortos e os preparativos para que se faça o Juízo.

Bem, nós então, nós estamos nos últimos tempos, não estamos no fim dos tempos; é uma coisa diferente. E é por causa disso que São Luiz Grignion fala dos tempos dele, “nesses últimos tempos”. Quer dizer, ele já anterior e não tão pouco anterior de várias décadas à Revolução Francesa, ele já considera que os últimos tempos começaram, mas não é o fim dos tempos.

Os últimos tempos não são também diretamente o Reino de Maria. Se há uma coisa que é certa, é que imediatamente antes de Revolução Francesa e durante a revolução e que tudo se seguiu à revolução, não era o Reino de Maria.

O Reino de Maria é uma parte dos últimos tempos. Assim nós compreendemos melhor a cronologia diante da qual o pensamento dele se move.

Eu passo, portanto, à leitura de São Luiz Grignion.

Diz ele:

* É preciso que Maria seja glorificada e é preciso que A procurem. Para encontrá-La, é preciso procurá-La; para procurá-La, é preciso ter uma idéia do que Ela é 

“Pois que é o meio seguro e o caminho reto e imaculado para se ir a Jesus Cristo e encontrá-lo plenamente, é por Ela que as almas, chamadas a brilhar em santidade, devem encontrá-lo. Quem encontrar Maria encontrará a vida, isto é, Jesus Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida. Mas não pode encontrar Maria quem não a procura; não pode buscá-la quem não a conhece, e ninguém procura nem deseja o que não conhece. É preciso, portanto, que Maria seja, mais do que nunca, conhecida, para maior conhecimento e maior glória da Santíssima Trindade.”

É todo um raciocínio muito lógico que ele desenvolve.

Se em nossos tempos é preciso que Maria seja glorificada e que seja reconhecida por todos e proclamada por todos, é preciso que A procurem. Para procurá-La é preciso que A encontrem; para encontrá-La é preciso procurá-La; para procurá-La é preciso ter uma idéia do que Ela é. Porque do contrário a pessoa não tem motivo para procurá-La. E, portanto, a glorificação de Maria começa com o impulso que se deve dar às almas para que elas no maior número procurem Maria Santíssima, procurem conhecer, procurem estudar, Maria Santíssima, daí vem o resto.

E, exatamente, o tema principal do “Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem” é a exposição do que é a Santíssima Virgem para que a devoção nasça em conseqüência disso. De maneira que o que ele diz, aliás todo o pensamento dele é de uma retidão, de uma coerência impressionantes, todo o pensamento dele está exposto nisso portanto.

Bem,

* Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça 

“Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça.”

Notem a palavra “força”, e depois não pensem que a palavra “graça” quer dizer necessariamente apenas dons e benefícios. A palavra “graça” pode também representar punições e castigos, porque as punições e castigos podem ser um favor.

Várias vezes nós temos referido aqui à palavra de São Pedro, se não me engano, que declara que o dilúvio foi uma graça para o mundo, foi um benefício para o mundo.

Por quê? Porque muitas pessoas que se não fosse o dilúvio teriam morrido na respectiva cama “nhonhozamente” [indolentemente], pelo contrário, diante do dilúvio se assustaram, e compreenderam que era um braço de Deus que estava castigando, se arrependeram de seus pecados antes de entregarem a alma a Deus. Portanto, não foram para o inferno – é, portanto, um grandíssimo benefício, um imensíssimo benefício – e não foram por causa do dilúvio.

Então, também aqui entre as graças de Maria, como manifestação da força de Maria nós podemos e devemos considerar a “Bagarre”, por exemplo. Como cabendo entre outras manifestações de Maria.

“Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja Católica; em força contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários.”

Eu vou depois ler parte por parte do texto, eu estou lendo antes o texto em bloco inteiro.

“Deve, enfim, resplandecer em graça, para animar e sustentar os valentes soldados e fiéis de Jesus Cristo que pugnarão por seus interesses.”

Nós devemos analisar aqui as palavras. Ele diz:

“Nesses últimos tempos, Maria deve brilhar, como jamais brilhou, em misericórdia, em força e graça.”

Depois, para os srs. seguirem o raciocínio dele, depois de ter dito que Ela deve brilhar em misericórdia, força e graça, ele diz: misericórdia no quê? Em força no quê? Em graça no quê?

É uma exposição muito bonita, mas que tem a precisão de um trabalho universitário elaborado com todo o cuidado. Ponto um, ponto dois, ponto três etc., etc.

“Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores e desviados que se converterão e voltarão ao seio da Igreja Católica”

Quer dizer, isto não se deu no tempo dele, ele dizia que já estavam nos últimos tempos. Nos últimos tempos é uma coisa longa, e ele indica aqui os últimos tempos por aquilo que é o desfecho dos últimos tempos. Quer dizer, a história dos últimos tempos deve terminar por essa conversão de pecadores que Nossa Senhora receberá amorosamente, por isso ele diz:

* Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores 

“Em misericórdia para reconduzir e receber amorosamente os pobres pecadores…”

Todas as palavras são pensadas: em “reconduzir e receber”. Se os pecadores começam a voltar para o bom caminho, se o filho pródigo enceta a caminhada de volta à casa paterna, é Ela que está reconduzindo pela graça que a prece dEla obtém. E assim ele vai caminhando; lembra-se, faz aquela reflexão em virtude da qual ele compreende que deve voltar à casa paterna, e começa a voltar. Agora, depois ele diz:

“…receber amorosamente…”

Exatamente é Ela ainda que recebe porque [é] a graça obtida por Ela que, segundo a parábola do filho pródigo, move o pai a receber sofregamente o filho que vem em casa. Então, esse processo de conversão está todo ele descrito, é um movimento para a volta, é o caminhar efetivamente para a volta e é o ser bem recebido.

Todas essas três etapas do processo são resultantes do bafejo de Nossa Senhora, resultante da ação dEla, porque Ela é o canal de todas as graças. E, portanto, tudo isso passa por Ela, e ele quer tornar-nos muito presente o papel preponderante de Nossa Senhora na História por desígnio de Deus, por vontade de Deus.

Depois de falar de conversões que nós não estamos vendo, quer dizer, é claro que ao longo desse tempo tem havido conversões, tem havido até algumas conversões maravilhosas. Como daquele judeu Ratisbonne no século passado, a quem Nossa Senhora apareceu na igreja de Sant’Andrea delle Fratte de Roma – nós por linguagem corrente chamamos “igreja do Miracolo” – e apareceu pessoalmente de pé num altar, e se manifestou mais ou menos com as características da invocação Nossa Senhora das Graças. E esse homem então se converteu, foi uma grande conversão que abalou o mundo inteiro porque ele era sobrinho ou parente muito chegado dos famosos plutocratas judeus Rotschild, que eram naquele tempo o que o judaísmo tinha de mais empreendedor, mais ativo, mais fecundo, na linha do mal.

Pegar ali um e converter porque quis, tocar aquela alma dentro daquele antro e levá-lo para ser padre como foi, e ter uma fecunda vida de apostolado, isto foi toda uma movimentação feita por Ela.

Houve assim algumas grandes conversões, mas essas conversões não foram regra geral, e ele está falando aqui de grande número de conversos, de grandes conversões, de muitas conversões. Então, ele alude, evidentemente, a um tempo que viria durante esse período histórico que é o período dos últimos tempos.

Mas que como nós estamos vendo virá bem depois porque até agora ainda não começou. Então os senhores estão vendo que dos fatos finais dos últimos tempos, o primeiro que ele cita é a conversão, e que nós, nos nossos cálculos a respeito do que deve acontecer, temos que tomar em consideração as pessoas que Nossa Senhora queira em número ponderável chamar para atrair a si, e para transformá-los em elementos de luta. Ele fala da luta daqui a pouco.

Bem, isto responde a uma pergunta que muitas pessoas me têm feito e que eu não tenho dado uma resposta taxativa porque esperava uma ocasião boa como esta para tratar do caso.

* Nós devemos pedir a Nossa Senhora que se digne de fazer com que a TFP seja um estandarte levantado aos olhos de todos, para facilitar o processo de conversão e atrair as pessoas a Ela 

Quando nós consideramos a desproporção entre nosso número e o número dos que lutam pelo demônio, a desproporção é esmagadora. Então, o que é que nós pensamos fazer antes de tudo?

Não é dizer que nós fiquemos abobados com isso. Não!

Nós sabemos, pelo “Tratado da Verdadeira devoção,” o que vai acontecer, porque ele fala com a segurança de um profeta, [que] vai haver tal coisa, vai haver tal outra coisa. A gente vê que ele tinha o que se chamam luzes proféticas, e que com essas luzes proféticas lhe era dado prever o futuro.

Ora, ele prevê um grande número de conversões e, então, para nós fazermos o nosso plano para a Bagarre, nós temos que esperar essas conversões, temos que pedí-la, temos que prepará-las, devemos pedir a Ela, a Nossa Senhora, que se digne de fazer com que a TFP seja um estandarte levantado aos olhos de todos para facilitar esse processo de conversão e atrair as pessoas a Ela.

Mas nós devemos contar com um grande número de conversões. Mais provavelmente – não posso afirmar – eu não creio que essas conversões vão começar a se dar como uma chuva que, gradualmente, lentamente, vai se tornando mais intensa, mais intensa, até se transformar numa grande tempestade.

Eu tenho a impressão de que vai ser como a chuva do profeta Elias. Seco o céu, Elias profeta pede que chova, aparece uma nuvenzinha e essa nuvenzinha rapidamente se avoluma e enche o céu, e então cai a torrente de água.

* Tem-se a impressão de que haverá muitas conversões, pela criação de um clima sobrenatural no meio da atmosfera infernal dos dias de hoje 

Nesse sentido, eu tenho a impressão de que o que vai haver são muitas conversões, um pouco de repente, pela criação de um clima sobrenatural que no meio da atmosfera degradante, infernal dos dias de hoje, cria ali dentro um vácuo, cria ali dentro uma zona ideologicamente débil para o demônio e psicologicamente tendente a receber Nossa Senhora, e a receber os filhos e escravos de Nossa Senhora.

E que, de repente, a palavra deles se torne fecunda extraordinariamente [e] que eles atraiam muita gente.

Pode ser, portanto, que se trate de uma super TFPzona que resulte desta pequena nuvem que é atualmente esta TFP que nasceu em São Paulo como… não sei, como uma evaporação de um copo d’água que alguém derrama na rua, e que sobre o cimento quentíssimo de um dia de verão, se evapora e que sobe, e ali visualmente no céu é menor do que um grão de mostarda, mas ali pode crescer, crescer, pela vontade de Nossa Senhora.

No momento esse grão de mostarda existe em cinco Continentes, mas num processo de crescimento que tem havido até aqui que é de chamar a atenção.

Nossa Senhora poderia perfeitamente fazer o seguinte:

Vamos dizer que os membros de TFPs e Bureaux tudo somado dê… eu vou lançar um cálculo assim no ar, dê mais ou menos 2.500 pessoas contando correspondentes etc., tudo junto, que não são propriamente da TFP, mas estão nesse curso de graças e de almas da TFP, e que tudo isso junto dê umas 2.500 pessoas. Vamos esticar muito, 3.000 pessoas!

Isto é muito pouco. Mas, em relação ao copo d’água já é bastante, sobretudo tomando em consideração que isso se espalha em cinco Continentes. Mas Nossa Senhora determina – e isso é curioso – até aqui, que em nenhum lugar se forme uma TFP, vamos dizer, com 2.500 pessoas, e uma TFP grande como Associação. A maior é a de São Paulo que é, praticamente, talvez ela tomada no seu todo e ainda com correspondentes enchesse duas vezes o tamanho desse auditório. É fazer um cálculo talvez otimista, seria uma coisa grande. Seria mais eficaz teoricamente ter todos reunidos num só ponto para demarrarem uma ação do que esses grupinhos espalhados aqui, lá e acolá.

Mas a questão é a seguinte: não se pode dizer que se nós não tivéssemos procurado outros países, a TFP seria mais numerosa no Brasil, [que seria mais numerosa] se tivéssemos gasto no apostolado no Brasil, o tempo que foi gasto procurando gente em outros países para fundar TFPs, porque, na realidade, enquanto nós tínhamos gente procurando fundar TFPs fora, aqui se fazia todo o possível para ter TFP mais numerosa. Não é isso.

Nossa Senhora, por um mistério que nos explicaremos depois à vista dos fatos, e que hoje em dia não saberia explicar, Ela quer que a TFP seja pequena em muitos lugares. Punhados de grãos de mostarda em muitos lugares, que crescem e podem dar depois árvores colossais.

Aí nós temos um pouco a idéia do provável modo de progredir da TFP nas vésperas da Bagarre e durante e a Bagarre.

Nós devemos acrescentar a isto então, a TFP que seria enriquecida por muitas outras conversões, então a Contra-Revolução numerosa, ainda que pouco numerosa em relação ao número de ímpios, em todo o caso numerosa em relação ao nosso número atual. Uma TFP não só numerosa, mas nós vamos ver daqui a pouco, aguerrida!

É o que São Luiz Grignion faz prever aqui, uma TFP então numerosa e aguerrida, e alguém dirá:

“Mas, Dr. Plinio quem é que lhe disse que há uma TFP? quem sabe se nascerão várias organizações com feitios diversos e Nossa Senhora não quererá só TFP?”

A quem me fizesse essa pergunta eu diria: sua pergunta é razoável, mas tem veneno…

É razoável, porque Nossa Senhora absolutamente não está obrigada a se ater a um tipo só de organização, o que Ela quiser está bom! Se Ela quiser além da TFP, 20 outros tipos de organização, está bem, seja Ela louvada!

Mas a pergunta deixa transparecer um estado de espírito mais ou menos assim: “Seria tão bom que Nossa Senhora não quisesse TFPs, mas quisesse umas organizações mais “laranjas”, mais frouxas, mais moles, com as quais fosse possível mais conviver.”

Não é verdade porque os últimos tempos, são os tempos decisivos. (…)

Alguém dirá: “Mas Dr. Plinio, isso não está precisamente em São Luiz Grignion.”

É por isso que eu estou diferenciando. Estou levantando a questão exatamente para dizer que esta parte agora do meu comentário não está precisamente em São Luiz Grignion, um tanto difusamente parece bem estar, nós veremos daqui a pouco.

Precisamente assim, “isso será assim!” , não tem.

Agora, por que razão?

Seria preciso que sobre essa organização aguerrida, que não convive com nada de mal, seria preciso que São Luiz Grignion dissesse alguma coisa? Sobre este fato – ele não diz isso precisamente como eu estou dizendo – há um certo fundo disso na linguagem dele, mas precisamente não diz.

A pergunta é: com que autoridade eu estou dizendo isto?

Autoridade do bom senso preliminar, de um bom senso de analfabeto, quer dizer, sem ler nem escrever entende que isto é assim! Basta olhar para tudo que nos circunda que se compreende que tudo se prepara para nos eliminar.

“Eliminar”, o que quer dizer aí? Quer dizer matar? Eliminar é fazer com que não estejam presentes na luta, é isso que quer dizer. Basta ter um pouquinho de bom senso para compreender que isso é assim.

Então diz o seguinte:

“… em troca contra os inimigos de Deus, os idólatras, cismáticos, maometanos, judeus, ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem hostis.”

Então contra esses é preciso que se voltem aqueles que foram convertidos e aqueles que sempre foram fiéis numa liga magnífica.

* Nós não queremos a TFP pela TFP. Nós queremos a TFP por Nossa Senhora e não Nossa Senhora por causa da TFP 

Se Nossa Senhora quiser que haja uma só TFP para tudo isso, seja Ela bendita; se Nossa Senhora quiser que haja organizações muito variadas entre as quais a TFP, seja Ela bendita também!

É como as Ordens de Cavalaria no tempo da Idade Média, eram várias. Mas elas prestaram na sua variedade, elas tinham uma certa unidade na sua variedade, e prestaram serviços muito insignes à Igreja Católica.

Nós não queremos a TFP pela TFP, nós queremos a TFP por Nossa Senhora. Se a TFP servir à Nossa Senhora, nós queremos tanto a TFP quanto ela sirva a Nossa Senhora.

Se – que Deus nos livre! – a TFP não servisse mais à Nossa Senhora, nós quereríamos a eliminação da TFP, porque nós queremos a TFP por causa de Nossa Senhora e não Nossa Senhora por causa da TFP! Isso deve ficar bem claro para nós!

Nós não somos maníacos de TFP, nós somos devotos de Nossa Senhora. É preciso que isso tudo fique bem claro para nós.

Agora alguém dirá: “Mas o Sr. terá uma alegria especial em que Nossa Senhora destaque essa TFP de um modo particular?”

Eu digo: Ah, sim! Vivíssimo! Porque é sinal de que nós estamos servindo muito a Ela; e como é o que nós devemos querer, devemos nos alegrar de que eu estou sendo útil à nossa Rainha.

Em torno desta idéia é que devem gravitar os nossos pensamentos, nossa alma deve ser assim.

Agora vem então o texto é esse:

“…em força contra os inimigos de Deus…”

Depois ele enumera quais são. Então:

“… idólatras…”

São os que adoram ídolos. Nos dias de hoje, são muitos os idólatras. No sentido literal da palavra, que parece que é o que ele toma aqui principalmente, por enquanto os idólatras são pouco numerosos. Os que tomam um objeto e se põem a adorar esse objeto convencionado que é o deus de qualquer coisa, são muito pouco numerosos. Ele coloca em primeiro lugar. Por que é que coloca em primeiro lugar? Num Tratado como este em que cada palavra é muito bem ponderada?

Depois dos idólatras ele fala dos “cismáticos”.

Quais são os cismáticos? De um modo geral são os que romperam com a Igreja Católica. De um modo mais especial são cismáticos aqueles que romperam com a Igreja de um determinado modo, quer dizer, não são necessariamente hereges; são aqueles que recusam a obediência à Igreja recusando as autoridades da Igreja, “essas autoridades eu não obedeço.”

O mero pecado de desobediência uma vez não caracteriza um cismático. Mas se o cismático levanta o princípio: “à tal autoridade da Igreja, eu não prestarei obediência sistematicamente”; porque isto é o que dispõe a Sagrada Escritura, este cai em cisma, e então, o tipo da religião cismática é a I.O. [igreja “ortodoxa”].

Hoje tornou-se herética porque ela recusa os dogmas da Imaculada Conceição e da infalibilidade Papal que foram declaradas muitos séculos depois do cisma, mas na realidade os cismáticos hoje já são hereges.

Mas São Luiz Grignion no tempo dele falava de cismáticos com muito boa razão, porque a I.O. não tinha caído ainda em heresia, a infalibilidade Papal e a Imaculada Conceição foram definidas no século XIX, São Luiz Grignion escreveu isso no século XVIII.

De maneira que se compreende que ele tenha tido a I.O. em vista.

Bem, depois, “os maometanos e os judeus”.

Os maometanos, eu me espantei um pouco quando li porque no tempo de São Luiz Grignion, os maometanos não eram mais uma grande potência. Depois da derrota que Nossa Senhora infringiu aos maometanos na batalha de Lepanto, dir-se-ia que uma espécie de raio de morte caiu sobre eles ou que eles foram atingidos por um mosquito do sono, porque todo o Islã caiu depois num letargo indolente, preguiçoso, imoral, cúpido e lúbrico ao mesmo tempo, no qual eles dormiram mais ou menos 100 anos. E quando eu li o Tratado – eu tinha uns 20 anos, portanto, há 60 e tantos anos atrás – os maometanos eram uma ninharia, e eu me perguntei: São Luiz Grignion fala aqui profeticamente ou ele fala evocando coisas antigas, antigos inimigos da Igreja que já não têm força? Mas aqui ele está fazendo uma coisa profética, e não parece que os maometanos vão ter um grande poder. Tudo parecia caminhar nessa direção.

Inventou-se o petróleo e o petróleo foi o toque de ressurreição do maometanismo, o poder econômico deles cresceu enormemente e os senhores sabem bem que quem tem o poder econômico nesse mísero século XX, tem todas as formas de poder para comprar todos aqueles que não são verdadeiros devotos de Maria.

Resultado: isto aqui é uma afirmação verdadeiramente profética. Ele não podia no século XVIII, muitas décadas antes da Revolução Francesa, ele não podia inventar que viria o petróleo e descobrir que o petróleo estava em terras de maometanos nem nada disso. Entretanto, a previsão está clara, entre os maiores inimigos da Igreja hoje estão os maometanos, especialmente no Magreb, mas que não teriam a importância que têm, se não fosse o apoio dos maometanos de fora do Magreb. E, portanto, os senhores estão vendo bem como a enumeração está interessante.

E diz então o seguinte:

“…os cismáticos, os maometanos, judeus e ímpios empedernidos.”

Os judeus, vai de si e nem eu preciso comentar. Mas há uma coisa muito interessante quanto a ímpios empedernidos.

Esses empedernidos todos, portanto…

* Procurarão fazer cair os bons “com promessas e ameaças” – o binômio medo-simpatia 

“…maometanos, judeus e ímpios empedernidos, que se revoltarão terrivelmente para seduzir e fazer cair, com promessas e ameaças, todos os que lhes forem contrários.”

“com promessas e ameaças”… é tipicamente então. Toda essa gente vai procurar fazer cair os bons, empregando o quê? O que nós chamamos o binômio medo-simpatia.

“Promessas e ameaças”. Perseguem, difamam, movem máfias etc., etc., e em última análise matam e está acabado; e seremos mártires!

Mas parece que nossa vocação, se tivermos que ser mártires, mártires que venderemos caro o nosso sangue!

Mas notem bem, o que é que esses indivíduos farão?

Eles farão o seguinte, eles “se revoltarão terrivelmente”. É verdade que os inimigos da Igreja estão terrivelmente revoltados, ou seja, que fazem um emprego terrível do binômio medo-simpatia para arrastar aqueles? Mais terrível impossível!

O que é que eles podem fazer de pior contra nós, por exemplo, do que isso? É só matar-nos!

Assim mesmo eles sabem que matar seria contraproducente para eles e, portanto, só não nos matam porque é mais terrível não nos matar.

Não sei se isso está claro?

Eles perderiam muito na opinião pública se nos matassem a todos coletivamente, então eles sabem que são mais daninhos a Nossa Senhora não nos matando do que matando, porque se eles achassem que a Revolução teria vantagem em nos matar, nos matariam!

Bem, nós subiríamos ao Céu porque o mártir vai para o Céu, ele morre, e vai para o Céu.

Há uma sóror espanhola do século passado, sóror qualquer coisa

A essa sóror Patrocínio, o Sagrado Coração de Jesus fez várias revelações. Numa delas declarou a Sua tristeza por receber tantas orações pedindo misericórdia que Ele fica como que amarrado e não podendo aplicar como gostaria a Sua própria justiça.

Eu quero muito pedir a Nosso Senhor todas as misericórdias que Ele queira que eu peça, estão pedidas todas já! Mas, não quero nenhuma que Ele não queira, portanto…

Bom, então eles se revoltarão terrivelmente para empregar contra nós e contra os que forem como nós o binômio medo-simpatia.

Deve, enfim, resplandecer em graça, quer dizer, a Igreja Católica…

“…deve resplandecer em graça para animar e sustentar os valentes soldados fiéis de Jesus Cristo que pugnarão por Seus interesses.”

Quer dizer o bom católico não vai ser um moleirão, boca mole e tudo mais. Não, é ali! Valente soldado de Jesus Cristo que pugnará pelos interesses de Jesus Cristo, ou seja, os interesses de Nossa Senhora.

Esses assim, nós devemos, no ato de Consagração, pedir que sejamos valentes soldados de Jesus Cristo, para pugnar valentemente contra esta corja terrível que de toda parte do mundo se levanta para fazer esta situação, para criar esse caos infernal em que o mundo está lançado.

Continua isto claro ou não?

* Maria deve ser terrível para o demônio e seus sequazes 

“Maria deve ser, enfim, terrível para o demônio e seus sequazes”

Vejam bem, hein! Não é só para o demônio não, para “os seus sequazes”, e não são só os sequazes que estão no inferno. Os demônios são os anjos condenados porque se revoltaram. Precitos são as almas dos homens que foram condenados ao inferno. Demônios e precitos são, portanto, categorias de malditos diferentes.

Mas aqui fala a respeito dos “sequazes do demônio”, sequazes do demônio não são só os que estão no inferno.

Quem é sequaz? O que quer dizer um sequaz?

Alguém que segue a outrem é sequaz de um outro. Por exemplo, os Apóstolos que seguiram a Nosso Senhor Jesus Cristo eram sequazes de Nosso Senhor Jesus Cristo. Judas foi durante algum tempo um sequaz de Nosso Senhor Jesus Cristo antes de se tornar o filho das trevas que nós conhecemos.

Bem, ele não fala apenas dos que morreram, mas ele fala dos que estarão vivos na ocasião, diz que esses estarão lutando contra Nosso Senhor e, portanto, é contra esses também, contra criaturas humanas e vivas, nesta terra, servindo de instrumento para o demônio, instrumento evidente para quem tenha fé e sabe que ninguém combate a Nossa Senhora, ninguém combate a Nosso Senhor, ninguém combate a Igreja, sem ser de algum modo instrumento nas mãos do demônio. A esses é preciso tratar como tais!

Vamos dizer que misteriosamente aparecesse aqui uma mão horrível, com garras medonhas da qual transudaria pus de todos os lados etc., mas uma mão fortíssima e, por exemplo, não sei… estendendo para mim uma carta.

Qual seria minha atitude?

Eu veria nisso a mão do demônio! Eu iria com o que tivesse… Tiro! Espada! Se não fosse outra coisa era almofada e copo d’água, mas seria o que fosse! Porque se é uma mão que é instrumento do demônio – o demônio como puro espírito, não tem mão – é, portanto, uma figura que ele suscitou para servir de instrumento dele. Eu trato como trataria a ele: a pau e fogo!

Então, sempre que se esteja nos limites traçados pelos Mandamentos, é pau e fogo mesmo!

Então…

“…Maria deve ser terrível para o demônio e seus sequazes como um exército em ordem de batalha”

Acies Ordinata vem daí. Acies, quer dizer exército; ordinata, em ordem de batalha.

* São Luís Grignion faz uma previsão da Revolução Francesa 

“… principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que pouco tempo lhe resta para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe dão para vencer.”

É curiosa esta profecia da Revolução Francesa, diz o seguinte: o demônio sabendo que o tempo vai passando e que o processo está vagaroso, não está correndo tão depressa quanto ele queria, quer apressar. Então, está preparando – diz ele aqui – “perseguições cruéis e terríveis”, são previsões da Revolução Francesa. Aliás, “perseguições cruéis e terríveis emboscadas.”

A perseguição cruel já se entende o que é.

O que é que é emboscada?

Está emboscado o inimigo que se mete num bosque, e que de dentro do bosque, disfarçado, aproveita para atirar. A emboscada é do inimigo velado, e o inimigo velado os srs. encontram sobretudo dentro da própria Igreja.

Continua claro tudo isso?

(Sim!)

Bem.

* Inimiticias ponam inter te et mulierem, et semen tuum et semen illius; ipsa conteret caput tuum, et tu insidiaberis calcaneo eius 

“É principalmente a estas últimas e cruéis perseguições do demônio, que se multiplicarão todos os dias até ao reino do Anticristo, que se refere aquela primeira e célebre predição e maldição que Deus lançou contra a serpente no paraíso terrestre.”

É curioso isso, hein!

Aqui vem uma interpretação da Escritura, qual foi a maldição lançada no paraíso? Diz o seguinte:

“Vem a propósito explicá-la aqui, para glória da Santíssima Virgem, salvação de seus filhos e confusão do demônio.”

Ele agora então vai explicar.

“Inimiticias ponam inter te et mulierem, et semen tuum et semen illius; ipsa conteret caput tuum, et tu insidiaberis calcaneo eius”

Quer dizer o seguinte, “Eu porei inimizades entre ti e a mulher”. Deus fala isso no paraíso no momento em que Ele amaldiçoa Adão e Eva, pelo pecado que cometeu e amaldiçoou a serpente.

Aqui Ele está falando com a serpente. Serpente que não é o animal, mas é o demônio que agiu por meio da serpente.

“Eu porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua posteridade e a posteridade dela…”

Quem é essa mulher? Essa mulher que por excelência é a antidemônio?

Eu tenho por hábito não interromper jamais aplausos quando eles se dirigem a Nossa Senhora, e ainda que os aplausos fossem até às cinco horas da manhã, eu teoricamente não os interromperia, não aplaudo porque não tenho jeito aqui para me virar para aplaudí-La, mas, do contrário, nem preciso dizer aos srs.

Mas, eu tenho a preocupação de não levar essa reunião longe demais, e, portanto, precisamos continuar.

Essa mulher é Nossa Senhora, e é a previsão de Nossa Senhora como a campeã na luta contra o demônio. A principal arma dele na luta contra o demônio é Nossa Senhora, e por isso Ele age de tal maneira, como se, aos olhos do demônio, Nossa Senhora se identificasse com ele e fosse uma só no ódio que Ele volta a Ela, e é isso mesmo. E então, há uma luta entre a mulher ou seja, Ela como instrumento de Deus, e o demônio.

E ele diz o seguinte:

* Qual é a posteridade de Nossa Senhora? 

“Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dEla”

Qual é a posteridade de Nossa Senhora?

Nossa Senhora só teve um Filho, unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo. Qual é a posteridade dEla?

Ela suscitou pelas preces dEla, Ela atraiu por cima de todos aqueles que deveriam lutar por Ela, graças especiais para pisarem sobre a cabeça do demônio.

E é um sinal de autenticidade de devoção mariana, que aquele que é devoto de Maria seja especialmente combativo contra o demônio, porque Nossa Senhora é por excelência a inimiga do demônio.

Não só porque Ela é quem o demônio mais odeia abaixo de Deus, mas é porque, abaixo de Deus, ninguém odeia tanto quanto Ela o odeia.

E por causa disso nós devemos pedir à Nossa Senhora todas as virtudes dEla, portanto, também e notadamente a virtude do ódio contra o demônio, que Ela nos dê aquele ódio insigne, abrasado, indomável, sedento de punição e de vingança, que animou Elias profeta, que animou São João Batista, para não falar de muitos outros. E que caracteriza aqueles que A amam verdadeiramente, e aqueles a quem Ela ama mais.

* Nossa Senhora quer especialmente bem aqueles que falam com indignação dos inimigos dEla 

Se os senhores querem saber quem é uma pessoa predileta de Nossa Senhora prestem a atenção, se essa pessoa fala com indignação dos inimigos de Nossa Senhora, digam: “Esse, Nossa Senhora quer especialmente bem!”

Ela, portanto, Nossa Senhora, te pisará a cabeça.

É disso que nós devemos ter uma sede insaciável, como a de um homem que nasceu no deserto e que nunca bebeu uma gota d’água, e que durante toda a sua vida não fez senão acumular essa sede.

Sede, mais sede, mais sede! Sede do quê? De calcar a cabeça do demônio!

Bem, agora prestem a atenção, ele depois vai explicar, eu tenho a impressão que não está compreendido no trecho de hoje, mas fica para outro dia. Ele depois vai explicar o que é que é o que vem agora, seguinte:

* O que é que são as traições que o demônio vai armar ao calcanhar de Nossa Senhora? Por que calcanhar? 

“Ela te pisará a cabeça, e tu [demônio] armarás traições ao seu calcanhar.”

O que é que são essas traições que o demônio vai armar ao calcanhar de Nossa Senhora? Por que calcanhar?

Ele acabou de falar em pisar, e pisa-se com o calcanhar. O calcanhar, pela sua anatomia, pelo seu modo de ser, é muito mais feito para esmagar do que as outras partes do pé, portanto, o calcanhar simboliza aqueles que mais do que outros têm o dom de pisar o demônio.

Agora, para estes que devem ser fortes, o calcanhar deve ser forte, deve poder esmagar de fato – não um calcanhar de porcelana, de boneca – mas é um calcanhar no duro!

Bom, mas Deus quando fala aqui implicitamente recomenda não só que sejam fortes, mas desconfiados, porque ele diz: “tu armarás emboscadas contra o calcanhar de Nossa Senhora.”

Quer dizer, contra os mais fortes, os mais dedicados, os mais valentes, o demônio fará traições. Portanto, numa organização como a TFP, cuja vocação é de ser forte e valente, é de ser calcanhar de Nossa Senhora, e acalcar mesmo, tomem cuidado e não tenham a ilusão de que a força basta, isso é uma tolice; é preciso ser esperto, é preciso ser sagaz, é preciso ser desconfiado, porque do contrário a serpente morde o calcanhar!

Está claro isso?

(Sr. -: Sim!)

Eu conheci em outros tempos…

* Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu; ela é irreconciliável 

[Uma única inimizade Deus promoveu e] “estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim”

Quer dizer, nos nossos dias essa inimizade é terrível, mas vai ser maior nos dias de Elias e de Enoque. E vai chegar ao auge no momento em que Nosso Senhor descer e soprar contra o Anticristo. É admirável, é extraordinário!

Então, não pensemos que com a vinda do Reino de Maria tudo se aplacará. O Reino de Maria será – ao menos eu desejo – um longo e glorioso intervalo depois de uma terrível luta, mas um intervalo que ou nós nos preparamos nesse intervalo para a luta maior ainda que virá no fundo ou nós estamos traindo nossa vocação.

Quer dizer, nós devemos viver sempre na espreita, sempre desconfiados, e sempre nos preparando para a luta; sem isso nós não somos nós!

Aí nos deterioraremos e desapareceremos do mapa.

É muito bonito esse pensamento:

Deus fez uma única inimizade, “é uma inimizade irreconciliável.”

É o que os ecumenistas precisavam tomar em consideração porque eles estão o tempo inteiro querendo promover uma reconciliação.

… no apostolado, sintam crescer em si a indignação.

Eu vejo aqui diante de mim, com quanta alegria, múltiplos enjolras novos. Eu dou a eles esse conselho:

Querem saber se estão progredindo?

Vejam se sua indignação contra os inimigos da Igreja está crescendo, de maneira tal que quando tiverem 20 anos de serviço na TFP, custem a conter a explosão de sua indignação!

Que sentido tem não crescer?

Por exemplo, eu quando tinha 20 anos, vamos dizer, quando eu tinha 23 anos, portanto, exatamente há 60 anos atrás, eu me indignava com as modas daquele tempo. Ou a minha indignação com as modas de hoje é muito maior, ou eu decaí. Porque as modas se tornaram cada vez piores; e eu não fiquei mais indignado à medida que elas pioravam?! Então, do que é que eu estou valendo? Eu não sou nada!! Eu estou então em decadência, e preciso pedir um Exercício de Santo Inácio de 30 dias, trancado, meditando, e fazendo penitência. Se não a coisa não dá certo. (…)

“… irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio. Ele lhe deu até, desde o paraíso, tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir a malícia…”

Quer dizer as velhacarias, as espertezas.

“…dessa velha serpente, tanta força para vencer, esmagar e aniquilar esse inimigo orgulhoso e ímpio, que o temor que Maria incute no demônio é mais que o que lhe inspiraram todos os anjos e os homens, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino. Segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos.” 

* Aos demônios, infunde-lhes mais temor um só suspiro de Nossa Senhora por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos 

Quer dizer, um suspiro que Nossa Senhora dê em favor de uma alma, fá-lo recear mais de perder essa alma do que a ação conjunta de todos os santos.

Depois, de outro lado também, as ameaças de todos os tormentos lhe fazem sofrer menos do que um suspiro de Nossa Senhora. De tal maneira Nossa Senhora é terrível para eles.

Eu creio que aproximando-se o fim da reunião, é o momento de nós também irmos chegando à parte final, mas como o filho e escravo de Nossa Senhora deve ter tomado Nossa Senhora como modelo em tudo, o perfeito devoto de Nossa Senhora deve ser, tanto quanto cabe a uma criatura de nossa estatura espiritual, deve ser uma imitação fiel de Nossa Senhora. E por causa disso de algum modo aqui está feita a descrição do fiel escravo de Nossa Senhora. Está feita a descrição do que nós deveríamos ser.

De maneira que eu acho importante repetir e comentar um pouco aqui esse trecho. Diz o seguinte:

“Deus deu a Nossa Senhora desde o paraíso tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência.”

Então, o que é que Nossa Senhora tem, o que é que Ela obtém para nós na medida própria a nós?

Se Ela tem esse ódio à serpente nós devemos ter um ódio análogo à serpente, e aqueles homens que trabalham sob a ordem da serpente, que são os filhos e os escravos do demônio, que são aqueles que fazem o que o demônio quer fazer. A estes nós devemos odiar de um ódio parecido com aquele que Ela e nós temos ao demônio.

Os senhores estão vendo como isto é diferente da “laranjada” mole e nojenta que se pretende inculcar a nós como sendo o modelo da devoção à Nossa Senhora.

* Não há pessoa contra a qual cada um de nós deva ser mais desconfiado do que nós mesmos 

“Tanta clarividência para descobrir a malícia dessa velha serpente.”

Mais uma vez, logo depois do ódio ele indica desconfiança: “Sede desconfiados!” Não há o que baste para desconfiar.

A desconfiança é contra o inimigo exterior, mas mais desconfiados ainda nós devemos ser contra nosso inimigo interior. Quer dizer à toda hora o demônio está suscitando movimentos em nós que parecem inocentes, mas que se a gente vai ver no fundo, tem tal coisa que por tal lado conduz a tal lado mau. E não há pessoa contra a qual cada um de nós deva ser mais desconfiado do que nós mesmos!

Esse ponto eu acho de uma importância capital: se eu for desconfiado de Plinio Corrêa de Oliveira como eu devo ser, eu vou ter toda desconfiança necessária na luta com os outros.

Mas se eu tiver uma confiança infundada e estúpida em mim, eu não vou ter as luzes necessárias para desconfiar devidamente dos outros. O prêmio da desconfiança boa, santa contra os outros, é a desconfiança boa, santa contra mim.

Isso é preciso a gente não perder de vista nunca, saber ver o demônio que de dentro de nós se mexe para ver se em tal ocasião… ele se contenta só de uma coisinha, que é insignificante, mas que é tão gostosinha. “Pegue isto”, é pegar o próprio rabo dele! Isto não!

Como desconfiar do demônio internamente, nas ciladas que ele nos pega?

Talvez isto um dia seja objeto de uma exposição, talvez algum dia se fale sobre isso.

* Força, é a capacidade de se cansar muito e de nunca se sentir cansado; carregar o fardo mais pesado, e terminado o fardo perguntar: “onde está o resto do serviço para fazer?” 

Bem, depois diz o seguinte: “Tanta força para vencer.”

Força. O que é força? É força! É antes de tudo, portanto, é a capacidade de se cansar muito e de nunca se sentir cansado. Carregar o fardo mais pesado e terminado o fardo, perguntar: “Quede o resto do serviço para fazer?”

Então, força para vencer, não basta vencer, é preciso esmagar. Quer dizer, é preciso aniquilar, separar as partes.

Bem, não basta. Aniquilar, é preciso raspar aquilo no chão para que não exista mais.

Os senhores imaginem que uma cobra, um sujeito mata a cobra, pica em pedaços, e sobre um chão de cimento que ele esteja, ele manda alguém raspar tanto que aqueles pedaços todos desaparecem em contacto com o cimento, como se fosse numa raladeira, de maneira que não reste nada.

* Nós devemos ver até que ponto estamos unidos a Maria, perguntando até que ponto inspiramos medo ao demônio 

“… esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio é mais que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus.”

Quer dizer, nós devemos também ver até que ponto nós estamos unidos a Maria, perguntando até que ponto nós inspiramos medo ao adversário.

Olhando para nós ele diga: “Que perigo! Eu preciso acabar com esse homem.”

A resposta é: “Agora eu estou com vontade de viver!”

Porque se eu tivesse que viver sem meter medo ao demônio, eu não queria viver… O viver é meter medo no demônio, esmagar e ralar! Reduzir a zero tudo quanto ele faz!

Depois, ele faz aquela muito bonita explicação de que sendo Nossa Senhora uma virgem frágil, delicada etc., humilha muito o demônio ter que se sentir derrotado por Deus, por meio de Nossa Senhora.

Isso pede uma explicação rápida, mas é a seguinte:

Admite-se em geral que a razão da revolta dos anjos foi porque Deus revelou a eles que Ele se encarnaria no Verbo, e que eles teriam que adorar um Homem – os homens não estavam criados, mas Deus fez os anjos conhecerem como seriam os homens. E, o homem, portanto criaturas de uma natureza muito inferior a eles, eles teriam que reverenciar um Homem unido hipostaticamente à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, um homem-Deus. E outros acrescentam que ele teve que ver também que teria que prestar homenagem a Nossa Senhora, e que isto lhe causaria ainda maior revolta.

Porque o homem-Deus, bem é um homem-Deus! Mas, ele, Lúcifer, o anjo que levava a luz na testa das cortes celestiais, que parece que era o primeiro anjo de toda a linha de anjos que há no Céu, ele ter que se abaixar diante de um mulher, não de um homem, mas de uma mulher criada da costela de um homem por assim dizer – a expressão é imprópria – mas um subproduto do homem, ele ter que se abaixar?

E que não estava unida à união hipostática, Ela era a Mãe do Verbo, Ela era a Esposa do Divino Espírito Santo, Filha do Padre Eterno, bem entendido. Mas, como estava abaixo de Nosso Senhor!

Até lá teria que seguir o rebaixamento do demônio, venerar Nossa Senhora como sua Rainha. Regina Angelorum, ora pro nobis!

Isso tê-lo ia levado a dar o brado maldito: non serviam, eu não obedecerei.

Agora, imagine Deus fazer o cálculo seguinte: “Tu serás derrotado por Ela. Ela, a quem maximamente tu quiseste desobedecer, Ela será o general invencível que te liquidará. Agora vá!” A gente compreende…

* Como um sol é inteiramente admirável e brilhante, assim Nossa Senhora é inteiramente terrível 

Também muitas vezes os filhos de Nossa Senhora parecem muito fracos, e o demônio dá risada: “Aquele punhado de gente poder alguma coisa contra mim? Ah! ah! ah!”

Espere que mais uma vez você verá!…

Agora, não é só verdade que Deus tenha concedido, portanto, a esta Virgem Mãe dEle essa missão de esmagá-lo, mas Ela o pode esmagar com os atos mais frágeis dEla e, portanto, um suspiro. É uma ação fragílima o suspiro!

O homem suspira para as coisas mais fracas, mais débeis. Para sentir o aroma de uma flor ele inala, aquilo é como um suspiro. Com esse suspiro, Deus deu a esse suspiro pavor, o poder para pôr em fuga todas as hordas do demônio. Por um poder que Deus deu a Nossa Senhora. Ela é terrível inteira a ele, como um sol é inteiramente admirável e brilhante, assim é Nossa Senhora inteiramente terrível. E nessas condições a gente compreende o ódio que o demônio tem para Ela.

Vamos em outra reunião, se Deus quiser, continuar essa preparação.

[aplausos] [Orações]

Nota: Para os demais comentários dessa insigne obra daquele Doutor marial, clique aqui.

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