O Sr. é favorável à liberalização do Partido Comunista? Por que a esquerda católica assusta a TFP?

Entrevista concedida à TV Capital, e levada ao ar no dia 10 de setembro de 1985

 

A TV Capital (de Brasília), para seu programa “Mensagem ao Presidente” (levado ao ar no dia 10 de setembro de 1985), convidou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a fim de entrevistá-lo sobre a Reforma Agrária no Brasil e qual seria a mensagem que gostaria de enviar ao Presidente da República.
Para a íntegra dessa entrevista, veja em https://youtu.be/AM6kZOkCJtc?si=36NgCkIOFs9fQs9h ou aqui.

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TV Capital – O senhor é contra a existência dos partidos comunistas no Brasil?
Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (PCO) – Eu acho que teoricamente falando, doutrinariamente falando, não deveriam existir, mas praticamente falando, eu absolutamente não me oponho, porque eu acho que o grande erro deles foi saírem à luz. Todo mundo percebeu que são esqueletos.
TV Capital – São esqueletos? O que senhor quer dizer? Que eles não teriam muita consistência?
(PCO) – Ah, não tem!…
TV Capital – Sei, mas vamos dizer, que o comunismo no Brasil não assusta a TFP?
(PCO) – Como perigo, não.
TV Capital – Como perigo não.
(PCO) – Não. O que assusta a TFP é a chamada “esquerda católica”.
TV Capital – Que que é a esquerda católica?
(PCO) – São os católicos de esquerda (risos)…
TV Capital – O que que eles pregam? O que eles fazem para deixar assustada a TFP?
(PCO) – Por exemplo, a reforma agrária, a reforma urbana…
TV Capital – O senhor acha que essa reforma agrária tem inspiração da esquerda católica?
(PCO) – Eu acho não, é um fato histórico, sabido. Há dois anos atrás o Episcopado se reuniu em Itaici, a CNBB, e fez um documento que exatamente propunha reforma agrária mais ou menos nos termos que ela está proposta pelo ministro Nelson Ribeiro.
TV Capital – O senhor acredita que a iniciativa do presidente José Sarney está calcada nesse trabalho?
(PCO) – Acho que sim. E, aliás, os jornais disseram largamente que o presidente Sarney está em íntima conexão com a CNBB. A CNBB hipotecou público apoio à reforma agrária, não é?
TV Capital – Mas eu não quero ser advogado do diabo, professor Pino. Mas Deus não disse que o mundo pertence a todos e que…
(PCO) – Sim, Deus disse isso. Mas dizendo que o mundo pertence a todos, Deus disse mais ou menos assim: “O ar pertence a todos”.
TV Capital – O ar?
(PCO) – O ar, mas cada um respira o ar para os seus próprios pulmões. Os bens da terra pertencem a todos. Cada um se apropria de uma parte para usar. Não é uma coisa para ser possuída coletivamente. É a humanidade…
TV Capital – Mas e as pessoas que possuem mais do que necessitam? Como é que o senhor encara esse aspecto?
(PCO) – Eu acho que é uma coisa legítima para os que possuem tanto quanto necessitam não pararem de produzir. É preciso estimular a iniciativa!
TV Capital – Como é que o senhor faria então sem a reforma agrária, como é que o senhor faria com que este país produzisse mais e os sem-terra tivessem terra?
(PCO) – Eu faço notar ao senhor o seguinte: o Brasil é hoje o terceiro exportador de produtos alimentícios do mundo, o que representa uma posição invejável. Bem, e isto em virtude do atual sistema agrário. O sr. compara isso com o sistema agrário dos países comunistas, o senhor vê que eles vivem dos grãos mandados pelos Estados Unidos. Eles vivem dos víveres mandados pelos Estados Unidos e pelo Ocidente!
TV Capital – É, a União Soviética importa grãos dos Estados Unidos…
(PCO) – Importa e não paga. Importa e não paga.
TV Capital – E não paga?
(PCO) – Não paga; pagam incompletamente. Aliás, todas as exportações em geral dos países comunistas deixam a desejar como qualidade e deixam a desejar como pontualidade de pagamento etc.
TV Capital – É, eu particularmente sinto que a doutrina comunista ela pode ter um interesse assim como doutrina política, mas economicamente ela não prosperou em lugar nenhum do mundo, né?
(PCO) – Nada.
TV Capital – Aqui no Brasil, o senhor vê alguma possibilidade de um dia ocorrer uma mudança nesse sentido?
(PCO) – Quer dizer, depende de nós, porque quem faz a história de um país são os que constituem o país. Se nós tivermos critério, tivermos princípios firmes, não acontecerá. Se não tivermos, acontecerá…
TV Capital – Eu gostaria também, professor Plinio, que o senhor me dissesse o que o senhor pensa do governo do de José Sarney, mas um minutinho, somente após os nossos comerciais.

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A explicação mais ampla e completa de Plinio Corrêa de Oliveira sobre a reforma agrária está no livro Reforma Agrária – Questão de Consciência (1960), de autoria conjunta com D. Antônio de Castro Mayer, D. Geraldo de Proença Sigaud e o economista Luiz Mendonça de Freitas. Esse livro é a obra de referência do autor sobre o tema. Ele trata de forma sistemática os aspectos:
Doutrinários e morais (propriedade privada, família, doutrina social da Igreja e incompatibilidade com o socialismo);
Técnicos e econômicos (a situação real da agricultura brasileira na época, a coexistência de propriedades grandes, médias e pequenas, e a crítica à ideia de latifúndio improdutivo como causa principal dos problemas);
Políticos e sociais (a campanha agro-reformista como instrumento de transformação socialista e confiscatória).
Foi um best-seller na época (cerca de 30 mil exemplares nas primeiras edições brasileiras) e teve grande repercussão, sendo traduzido também para o espanhol.
Onde encontrar o texto:
Completo e gratuito online (capítulo a capítulo): https://www.pliniocorreadeoliveira.info/RAQC_Indice.htm
Para o PDF: https://ipco.org.br/wp-content/uploads/2010/09/1960-ReformaAgrariaQuestConci%C3%AAncia.pdf
Em espanhol: https://lnx.pliniocorreadeoliveira.info/RAQC_Espanha/ES_RAQC_01_Indice.htm

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