O Brasil e a formação de uma nação séria

Breve conversa, 12 de outubro de 1992

A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

 

O Brasil poderia ser, já hoje, uma das maiores potências do mundo. Porque nós temos o território continental, de que o Sr. acaba de falar, mas nós temos também um povo muito inteligente. Nós brasileiros – com a graça de Nossa Senhora – somos muito inteligentes. Temos um espírito rápido, que pega bem as coisas muito antes de (…) uma cultura ilustre – terem pego as coisas, o brasileiro já foi e já voltou. [risos] Já pegou o negócio como é etc. Os mineiros ocupam um bonito papel no meio disso. [risos] Na sagacidade, na esperteza, vendo a coisa como é etc., etc., ocupa uma posição bonita no meio disso.
Agora, isso nos obrigaria a ter feito certas coisas que não fizemos por causa de um certo defeito.
O que é que obrigaria a ter?
Vocês acham que o brasileiro comum estudou tanto quanto devia? Estudou ou não estudou?
(Não! Não!)
Vocês acham que no nosso povo dava para ser muito mais culto do que é ou não?
(Sim! Sim!)
Bem, e um povo mais culto, um povo mais sério, mais sério, mais sério! Não seria outra coisa que nós não somos?
(Siimmm!)
Então se é assim, nós temos que deixar uma certa moleza, uma certa preguiça pela qual nós – por preguiça – não gostamos de nos esforçar. E que se criou entre nós um ambiente tão estúpido que um aluno que, sobretudo no curso secundário e no curso primário, no curso universitário muda um pouco. Mas um aluno de curso secundário que é um aluno estudioso, todo mundo acha meio “cacetão” [muito cacete].
O bonito é o aluno malandro, que pregou uma peça no professor, que colou na prova escrita, que andou ilegalmente. Isso parece uma proeza, um menino interessante.O menino que faz as coisas direito passa por um bobão.
É ou não é verdade isso?
(sim!)
* É preciso ensinar às crianças a vida dura, ensinar a amar a energia 
Bom, com isso só se fabrica uma nação no estado em que está essa.
Quer dizer, é preciso ensinar às crianças a vida dura, e amar a energia, e amar as coisas duras, desde menino. E entre essas coisas duras eu menciono uma que é especial: não há nada que amoleça mais o homem do que a falta de castidade, um homem que não é casto é um moleirão. Ou ele é um bandido ou é um moleirão. Não tem por onde escapar!
E vocês sabem a castidade aqui no Brasil o que é que é. E como vai afundando!
(…) Tal é a injúria da mulher não ser pura.
Hoje, quase não existe mais virgem. Eu acho que em Minas é como no resto.
(mesma coisa)
Mesma coisa, acabou!
Então, é um país que está acabando.
Vocês já ouviram falar do De Gaulle, não ouviram?
Quem foi o De Gaulle?
(Sr. -: Presidente da França, não é?)
Presidente da França. O que é que ele fez em benefício da França?
(Sr. -: Na II Guerra Mundial, não foi? que ele… )
Ele expulsou os alemães, não é isso?
* Perguntado a De Gaulle, após uma visita ao Brasil, o que ele tinha achado do país, respondeu: “Não é uma nação séria” 
Bem, e era um grande general e era um grande homem, com grandes defeitos também.
O De Gaulle veio fazer uma visita aqui ao Brasil. Examinou etc., etc., levaram de um lado para o outro, agradaram o homem como o brasileiro sabe fazer. Na hora de sair perguntaram para ele: “O que é que achou do Brasil?” Ele disse: “Não é uma nação séria.”
Tinha razão, vocês sabem que tinha razão.
Por quê? Porque é isso!
Então a começar por uma fé católica robusta e uma grande castidade.
Bem, meus caros, vocês conhecem a palavra latina “fugite irreparabile tempus”, conhecem ou não?
(Sr. -: Sim Sr.!)

Nota: Outros comentários do Prof. Plinio a respeito do perfil psicológico do brasileiro em geral:

1979-11-03 – Se alguém quiser cristalizar o brasileiro, basta empregar a brutalidade. Conheça bem o Brasil e seu povo. Caso contrário…

1985-12-14 – Como lecionar História para brasileiros

1987-03-14 – A moda e os modos dos brasileiros das mais variadas regiões e profissões

1987-07-04 – Perfil psicológico dos baianos: características próprias e dados em comum com os demais brasileiros / Um homem que brinca muito não tem meio de aproveitar seriamente o seu talento

1994-10-19 – Diplomacia, jeitinho e o colibri

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