GLOBO pergunta a Dr. Plinio: a TFP é uma entidade de extrema direita?

Entrevista concedida a jornalista do “Globo” na sede do Conselho Nacional da TFP brasileira, 4 de novembro de 1986

 

 

Globo – O Sr. acha que a TFP é uma entidade de extrema direita?

Plinio Corrêa de Oliveira (PCO) – Ah! Ah! É das tais coisas: se se fosse tomar uma régua e se fosse marcar nela da extrema direita para a extrema esquerda (toda régua tem que ter uma extrema direita e uma extrema esquerda) e se a gente fosse  eliminar sistematicamente os extremos, nós chegaríamos a eliminar a própria régua. Porque ainda que houvesse só o centro, tem uma face que está para a direita e outra que está para a esquerda, e haveria gente que chamaria isso de “extrema direita” e “extrema esquerda”…

Então, se se toma o quadro ideológico atual do Brasil — posso dizer do mundo – a organização mais direitista que eu conheça, eu acho que é a TFP. Mas, eu nego que isso seja igual a exagerado. Nego vivamente que seja sinônimo de exagero; que seja sinônimo de agressividade.

E agora deixa eu pôr o dedo na ferida: que seja sinônimo de nazismo. É preciso que se saiba que, no tempo do nazismo, o jornal católico que mais combateu o nazismo e o fascismo se chamava “Legionário”. Eu era o diretor do jornal, e eu era que escrevia a secção mais contundente contra o nazismo e o fascismo. Querendo, podem vir aqui, que está à disposição. Não está nesta sede, mas eu tenho as coleções do Legionário. Já ofereci para verem; ninguém veio ver…

Quer dizer, eu nego que a posição da TFP tenha algo de comum com o nazismo, nem com o fascismo. Não tem nada de comum! Eu combati o nazismo e combati o fascismo. Mas combati amplamente, largamente. Fui contra o Estado forte do Getúlio Vargas…

(Globo) – Mas, a favor da Revolução de 64!?

PCO – A favor da derrubada do Jango.

Nunca me viram ser premiado ou apoiado pelo regime que saiu daí, em nada. Fui ignorado.

(Globo) – O senhor fala isso assim com uma ponta de…

PCO – De estranheza?

(Globo) – Não. Me fugiu a expressão… não é melancolia… algo na linha da ingratidão; como quem recebeu ingratidão da parte dos que fizeram a Revolução?

PCO –  Não me esqueceram, porque eu nunca me candidatei a nada. Eu nunca pedi nada ao governo ditatorial. Eu tinha alguns bons amigos no Exército, mas não eram homens graduados. O homem mais graduado que havia no Exército — esse foi meu amigo — foi o General Souza Mello. Ele foi Ministro-chefe do Estado Maior das Forças Armadas. A única coisa que ele fez foi inaugurar nosso auditório. Agora não me estou lembrando o ano. Em que ano foi Dr. Paulo Brito?

[Outubro de 1974].

Ele veio no dia seguinte ao que ele tinha pedido demissão do cargo e me disse chegando aqui, me disse: “Dr. Plinio, o senhor não sabe as oposições que eu tive a que eu viesse visitá-lo antes de deixar o cargo. Mas deixado o cargo, sou livre. E a primeira coisa que eu faço é visitá-lo.”

Aí se vê quantas pressões se exerciam contra nós. Alguns estão certos de que nós éramos os “benjamins” da ditadura militar. Isso não corresponde a nada! Ninguém citou um fato nesse sentido.

Nota: Para a íntegra da entrevista, clique aqui.

Contato