Folha de S. Paulo: Dr. Plinio, para o Sr. qual o significado de liberdade, igualdade e fraternidade?

Entrevista do Prof. concedida para a  “Folha de S. Paulo”, 18 de dezembro de 1981

 

 

 

A 9 de dezembro de 1981, histórico documento de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira foi publicado simultaneamente no “Washington Post” (Estados Unidos) e no “Frankfurter Allgemeine Zeitung” (Alemanha), e posteriormente em 50 outros países, atingindo o total de 33,5 milhões de exemplares. O título do referido trabalho era “O socialismo autogestionário: em vista do comunismo, barreira ou cabeça-de-ponte? O duplo jogo do socialismo francês: na estratégia gradualidade – na meta radicalidade“. – Mensagem das Sociedades de Defesa da Tradição, Família e Propriedade — TFP do Brasil, Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Uruguai e Venezuela). A tal propósito, a “Folha de S. Paulo”, a 18 de dezembro de 1981, enviou um repórter à sede do Conselho Nacional da TFP a fim de realizar minuciosa entrevista com o Fundador da TFP brasileira e inspirador das demais entidades. Vieram, então, à baila temas como a trilogia “liberdade, igualdade, fraternidade”, qual a atitude da Igreja Católica face aos que não aceitam seus ensinamentos perenes e válidos para todos os tempos e lugares, qual a finalidade da vida etc., etc.
Em sua última obra, “Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana” (1993), Dr. Plinio dedica todo o Apêndice II para tratar do assunto.
E para os comentários tecidos pelo Fundador da TFP brasileira a respeito de documento do Papa Bento 15: os princípios da Revolução Francesa tinham a suma dos ensinamentos dos falsos profetas, basta clicar aqui.
E para a coletânea de documentos relativos à Revolução Francesa, clique aqui.

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(FSP – Dr. Plinio, o Sr. falou que o “Projet Socialiste pour la France des années 80”…)

Boa pronúncia, hein! O Sr. esteve na França, é?

(FSP – Não Sr… [o “Projet Socialiste pour la France des années 80”] assume por inteiro a política da Revolução da França a partir de 1789, da Revolução. O que havia de mal nessa trilogia “liberdade, igualdade, fraternidade”?)

É curioso que até dos Estados Unidos… O Sr. quer tirar aqueles objetos para se sentar mais à vontade?

Ontem ainda eu respondi uma entrevista por telefone que me fez um jornal dos Estados Unidos com a mesma pergunta.

É preciso distinguir. Mitterrand afirma que ele é o descendente, que o socialismo autogestionário é o descendente da Revolução Francesa e é quem aplica em todas as suas consequências a trilogia Liberdade-Igualdade-Fraternidade.

Agora, qual é a posição que eu e, na minha pena, as 13 TFPs tomam a respeito dessa trilogia?

Nós declaramos que é uma trilogia ambígua, que tem sido interpretada pelos que jogam com ela, acenam com ela, tem sido interpretada de modos diferentes: os que a interpretam mais radicalmente chegam às consequências onde chega o Mitterrand e ela pode ser interpretada assim. A tal ponto que dou documentos de Pio VI e depois mais adiante de S. Pio X também a respeito disso. Quer dizer, é uma das interpretações que essa trilogia tem.

Não é, portanto, uma trilogia indiscutivelmente má, mas fácil de ser interpretada mal e que, historicamente, tem sido interpretada mal muitas vezes.

(FSP – Particularmente, para o Sr. qual o significado dessas 3 palavras: liberdade, igualdade, fraternidade?)

O significado é precisamente ambíguo. O Sr. pode me perguntar quais são os significados que a trilogia contém.

Se o Sr. entende como “liberdade” a liberdade absoluta de maneira que não haja nenhuma forma de poder – é o que, por exemplo, queriam os estudantes da Sorbonne. Se o Sr. toma como “igualdade” a igualdade total que elimina qualquer possibilidade de diferença em qualquer nível entre um homem e outro. E a “fraternidade” uma espécie de normalidade de convívio que resultaria tão só da igualdade completa e da liberdade completa, o Sr. tem a autogestão. Os corpúsculos autogestionários nos quais o Estado se deve desagregar, segundo os comunistas ou segundo Mitterrand, esses corpúsculos autogestionários são, cada um deles, inteiramente livres no que querem.

No interior do corpúsculo, o indivíduo deve obedecer, inteiramente, em todos os campos de sua atividade, ao que os entes constitutivos desse corpúsculo tenham resolvido. Então, numa fábrica autogestionária, por exemplo, o corpo autogestionário vota tudo quanto diz respeito à empresa e tem um poder ilimitado sobre a empresa. E o operário não tem nem sequer o direito de greve contra a maioria. Não vi nenhuma afirmação desse direito de greve em documentos do Partido Socialista Francês (PSF).

Bem, ele afirma que no sistema autogestionário entrará o poder desses corpúsculos até para diluir a diferenciação que fazemos no sistema de hoje entre o trabalho e o lazer, organizando um lazer-trabalho e um trabalho-lazer.

Mas, o Sr. está vendo que o homem tem que entrar num lazer organizado por outros, portanto. Até o “amenagement”, o arranjo interior da casa, a disposição, aproveitamento de espaço etc., etc., até nisso intervém o corpúsculo. Mas onde é que está a liberdade do homem?

A liberdade está nisso: é que as decisões do corpúsculo se tomam por maioria de votos. Cada um é inteiramente livre para dar a sua opinião. E nisto ele realiza a parcela de soberania que existe nele. Então, cada um desses corpúsculos seria como um daqueles municípios da antiguidade clássica que o município não tem deputados, mas tem apenas o comparecimento pessoal das assembleias na Ágora, o comparecimento pessoal dos que habitam na cidade, e esses votam e tudo se resolve de acordo com aquele voto. Seria democracia direta corpuscular, se o Sr. quiser.

Nota: Para a íntegra dessa entrevista, clique aqui ou então veja abaixo.

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