Dr. Plinio entrevistado pelo “Globo”: a TFP, seus sócios, cooperadores e sua posição doutrinária

Entrevista concedida a jornalista do “Globo” na sede do Conselho Nacional da TFP brasileira, 4 de novembro de 1986

 

Globo – Como é que vocês da TFP são associados?

Prof. Plinio Corrêa de Oliveira (PCO) – A TFP é uma sociedade civil regularmente constituída e ela se compõe de sócios e de cooperadores.

1) Sócios são os fundadores da TFP e um certo número de pessoas mais ou menos veteranas, que são admitidas no quadro social, em razão de sua maturidade, de sua dedicação, de serviços prestados etc.

2) Cooperadores: não são sócios. São pessoas que, por idealismo, estavelmente prestam serviços à TFP.

Globo – Mas que se vestem da mesma forma e que têm…

PCO – Esse negócio de que “se vestem da mesma forma” é uma fantasia. A “Manchete” ou um jornalzinho de Campos publicou que nós fazíamos exercícios de tiro ao alvo numa fotografia de João Paulo II, numa fazenda em Campos, e que os rapazes todos da TFP usavam ternos azuis, tinham gravatas azuis, automóveis azuis e que tinham os olhos azuis!…

Globo – Não, isso não… Quando eu digo que se vestem da mesma forma,  não vejo ninguém da TFP com barba, não vejo cabelos longos; usam calças sóbrias… Quer dizer, existe um estilo TFP.

PCO – Espere um pouquinho. “Existe um estilo TFP” não está bem formulado. Sobrevive um estilo TFP! Porque a TFP usa o que há cinco ou dez anos se usava. De maneira que não é um uniforme criado pela TFP. É a persistência da TFP num modo de viver que não foi tirado das nuvens por um desenhista, mas é uma continuidade.

Globo – Mas eu não vejo assim como uniforme da TFP.

PCO – Mas os jornais têm dado muito isso; creio que “O Globo” também.

Globo – Eu vejo mais como um estilo.

PCO – É mais ou menos como essa casa aqui. Aqui não entra objeto moderno porque a arte moderna tem atrás de si uma mentalidade, uma filosofia a que somos opostos. Assim também a indumentária moderna, que é um corolário, é um aspecto da arte moderna inegavelmente — a indumentária é arte, a seu modo — também não é usada pelos membros da TFP.

Poder-se-á argumentar: “Mas é obrigatório usar a indumentária antiga da TFP?”

Resposta: não! A questão é que, quando o indivíduo não compreende o que há de dissonante entre a mentalidade da TFP e a indumentária moderna, ele também não compreende uma série de outras coisas na TFP. E, se se aproxima da TFP, ele a conhece um pouco e sai.

Globo – Não é fácil compreender a TFP.

PCO – Ah! Eu acho que não é fácil compreender a TFP não. Mas nós temos livros publicados, temos trabalhos, temos uma imensidade de coisas… para quem queira ver, para quem queira tocar a campainha e perguntar o que a senhora está perguntando.

Globo – O que distingue um sócio de um cooperador?

PCO – O sócio faz parte dos quadros sociais, tem direito de votar e de ser votado. O cooperador, se se quiser, é um sócio em germe, mas não faz parte do quadro social. Maturando etc., poderá entrar.

Globo – As pessoas da TFP vivem juntas?

PCO – Nem todas. Vários são casados. Mas os que não são casados e que são a maioria, realmente muitos moram juntos, em sedes.

Globo – Os cooperadores também?

PCO – Os cooperadores também.

Globo – Certo.

Globo – Eu fiz uma entrevista com a diretoria da UDR ainda esta semana e eles estão propondo a formação de uma frente ampla para combater o comunismo e para defender a propriedade privada e a livre iniciativa.  O que é que o senhor pensa disso?

PCO – Eu penso que, se não comportar concessões doutrinárias – porque aqui é uma questão doutrinária, de que o direito de propriedade pode ser declarado extinto pelo Estado, sem necessidade efetiva para o país, isso é doutrina. Bom, esse princípio eu nego. Porque daí se chega até ao comunismo. Embora, de momento, só se aplique para as terras ociosas. Posto o princípio, não se sabe até onde vai.

Globo – Mas possivelmente eles não vão mudar esse princípio deles…

PCO – Não vão mudar?

Globo – Acredito que não vão mudar porque já decantaram aos quatro ventos que eles têm essa posição. Como é que fica?

PCO – É verdade. Eu decantei aos quatro ventos que eu não tenho. Eu poderei colaborar com eles no que estou de acordo; não colaborar no que não estou. É o que estou fazendo.

Globo – O senhor já está colaborando com eles?

PCO – De algum modo sim, porque eu sei que em lugares por onde passam nossas caravanas, elas despertam a atenção de muitos fazendeiros e que isto depois ajuda o trabalho deles. Aliás, eu escrevi uma carta ao Caiado a respeito disso e ele nem me respondeu.

Globo – Não?

PCO – Não. Eu o digo sem acrimônia. Aí fora se tem a ideia de que eu sou uma espécie de dragão, eu sou um homem pacífico…

Globo – É porque o Sr. aparece pouco e não dá muitas entrevistas… As pessoas não o veem…

PCO – Não me pedem. Todas as vezes que me pedem, eu dou.

Globo – É?

PCO – É, com muita facilidade. Pensam que eu sou um dragão. Eu sou um homem que tenho meus princípios. Mas estou disposto a colaborar com a UDR no que tenha propósito, de acordo com os meus princípios.

Nota: Para a íntegra da entrevista, clique aqui.

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