Santo do Dia, quarta-feira 14 de outubro de 1992
A D V E R T Ê N C I A
Gravação de conferência do Prof. Plinio com sócios e cooperadores da TFP, não tendo sido revista pelo autor.
Se Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá Dr. Plinio em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.
… [começo] por dar algumas notícias aqui, e depois passamos a um material que está mimeografado, e que é um artigo sobre a cultura que eu mandei separar para ser lido aqui no auditório e comentado. Se der tempo, porque a reunião infelizmente está começando muito tarde e eu tenho minhas dúvidas – e até sérias – de que dê tempo para isso. Mas, enfim, vamos tentando fazer a coisa.
Eu começo por pedir desculpas ao Pe. Olavo, a D. Luís e a todos os que estão aqui pelo atraso da reunião. (…) do livro da nobreza, mas oportunamente, se me lembrarem, eu explico isto, depois de publicado o livro.
Eu tenho sobre o livro da nobreza a seguinte ideia: de que valeria a pena, quando o livro estiver editado no texto português, fazer uma distribuição evidentemente muito larga dentro da TFP. E para os que quiserem, com liberdade de vir ou não vir, mas durante talvez dez dias, talvez quinze dias, ir lendo aqui os textos principais e fazendo o respectivo comentário, de maneira que os Srs. fiquem largamente informados a respeito do conteúdo desse livro… (…)
Os Srs. imaginem que não tenham assistido a nada disso, apenas um grupinho pequeno tenha assistido. É ou não é verdade que esse grupinho está muito mais habilitado a ver a situação, a compreendê-la, a tomar posição, do que alguém que não ouviu nada disso, que não viu, nem sequer por gravador, e que, portanto, está [a quo?]. Esse está atrasado, e se entra em conversa com outra unidade da TFP onde se conhece tudo isso, ele vai ficar aquém, terá dificuldade de chegar às mesmas conclusões na apreciação de fatos contemporâneos, ou às vezes até mesmo na formulação de certas doutrinas.
Como a possibilidade de uma dispersão significa um “ralentissement”, um tornar mais lento esse processo de assimilação intelectual-espiritual em conjunto, é bom que os fundamentos principais, sobretudo os fundamentos adquiridos e conhecidos mais recentemente, sejam bem conhecidos por todos. E trabalhando para que o livro da nobreza saia e para que saiam os respectivos apêndices, nós trabalhamos muito para que as nossas vistas sobre esse mundo que vai acabando se definam mais ainda.
Assim, no calor da luta de qualquer espécie que nessa emergência se trave, nós vamos, sem perceber, maturando as ideias que recebemos nesse período preparatório.
Terminado o período preparatório e terminados os acontecimentos que talvez daí se desenrolem, entramos no Reino de Maria. Mas entramos no Reino de Maria com o espírito amadurecido pela preparação imediatamente interior, pelos acontecimentos, e muito principalmente pela ação da graça.
Eu encontro aqui um modo de dizer um pouco aos Srs. a razão do meu atraso, que me deixa sempre muito mal à vontade. Não pensem os Srs. que eu não lamente isto, eu lamento muito, me deixa muito mal à vontade. Mas, enfim, eu encontro um jeito para dizer.
Esse jeito toma uma parte da reunião, mas eu acho melhor nessa reunião já encurtada entrar na questão. Diz respeito ao igualitarismo.
Sem dúvida nenhuma uma das objeções mais fundamentais, ou a objeção mais fundamental que nós temos que fazer ao mundo ateu de hoje em dia, é claro que é o fato de que ele é ateu. Mas na ordem temporal a objeção mais fundamental que nós temos que fazer é o igualitarismo.
Porque é que há uma relação entre o igualitarismo e o ateísmo, e, portanto, a negação de toda e qualquer religião. Quem é ateu nega toda e qualquer religião.
A relação foi dada num debate entre D. Hélder Câmara e um Roger Garaudy, que naquele tempo se fazia de mais ou menos católico e hoje ficou muçulmano. Um francês intelectual de alguma fama. Eles tiveram um debate e nesse debate o Garaudy emitiu o seguinte conceito:
Se tratava não só de demonstrar que as provas da existência de Deus não são racionais, que o reto uso da razão não conduz à convicção que Deus não existe, mas tratava-se – para erradicar, para extirpar a ideia do próprio conceito de Deus da mente humana – de ir mais fundo e provar que Deus não existe. Uma coisa, portanto, é dizer que se pode demonstrar a vacuidade, a nulidade dos argumentos que demonstram a existência de Deus. Outra coisa é levar a pretensão até ao extremo de achar que se pode provar que Deus não existe.
Então como é que ele pretendia provar que Deus não existe?
Ele dizia que era preciso descobrir como é que a ideia de Deus nasceu na mente do homem, como é que isto nasceu na mente do homem. E que isto nasceu da desigualdade existente entre os seres.
Em primeiro lugar, os seres materiais da natureza que nos cercam, muito desiguais entre si. Por exemplo, entre um homem e uma montanha a desigualdade quantitativa, física, é enorme. Mas também a desigualdade entre os homens. Que o que mais chama a atenção do homem e o faz sentir a desigualdade, é a desigualdade dele com outros homens. Ou seja, porque ele é superior, então sente muito lisonjeiramente a desigualdade, ou porque ele é inferior e a sente com muito peso. Mas de qualquer maneira essa desigualdade se faz sentir muito ao homem.
Então se torna muito presente ao espírito humano a desigualdade. E a ideia da desigualdade conduz à ideia de Deus, porque então vem a ideia de que os homens sendo desiguais… de fato o são, não se trata de saber se tem o direito ou não tem de ser, são.
Eu vendo que um homem, por exemplo, que é mais inteligente que eu, eu vejo que então se pode ser mais inteligente do que eu. Mas então o meu pensamento é levado a tal ponto: “Como terá sido ou como será o homem mais inteligente que deve nascer?” Eu imagino uma inteligência. Daí vem naturalmente ao meu espírito: “Mas como seria uma inteligência absoluta, uma inteligência perfeita? Dada a inteligência como ela é, como seria uma inteligência perfeita de acordo com a natureza da inteligência? Qual seria essa inteligência?”
Evidentemente o conhecimento em Deus, o conhecimento que Deus tem de todas as coisas, a inteligência de Deus… Pode-se dizer o fato de que Deus intelige, mas Ele sabe tudo, Ele conhece tudo. O que Ele tem nessa matéria, como em todo o resto, faz estalar todos os conceitos humanos, tal é a superioridade dEle. Até lá chega o espírito do homem ao imaginar o auge da inteligência.
Mas isso é também com o auge da bondade, com o auge do poder e com o auge de uma porção de outras qualidades.
Então o espírito humano é levado, segundo Garaudy, a achar que seria harmônico que todos esses auges se unissem num só ser. Está imaginado Deus pelo homem. E que o homem diante desta imagem que ele fez de Deus, dobra os joelhos, porque ele fica maravilhado diante dessa imagem, e encantando com esta produção do seu cérebro, ele a adora.
Não sei se esse processo fica claro. É um processo que evidentemente não se passa assim, não é assim, é todo ele cheio de chicana e de erro, mas eu estou tentando apresentar o pensamento dele para os Srs.
Então, diz ele: a partir do momento em que os homens todos fossem rigorosamente iguais, a ideia de Deus iria se evaporando do espírito dos homens. Porque o padrão que leva o homem a imaginar um ser intelectual, espiritual, puro espírito e absoluto, é a magnificência, a superioridade de alguns homens que nós temos conhecido ao longo da História. Então se desaparecerem essas desigualdades, então desaparece a própria ideia de Deus, ela se esfumaça. E não se trata aí, então, de saber se Deus existe ou não existe, trata-se de fazer esquecer Deus. Os homens esquecem de Deus dentro da igualdade completa.
Eu pergunto se isto está claro ou não.
(sim)
A título de curiosidade… Bem.
O resultado é que a igualdade completa entre os homens, que é o que a Revolução procura quer no seu modelo de I Revolução, de II e de III Revolução, cada vez mais carregadamente nas IV e na V Revoluções, o que a Revolução procura é eliminar as desigualdades completamente, de maneira que ao cabo de algumas gerações a própria ideia de Deus tenha desaparecido do espírito humano. É, portanto, a conquista mais radical do ateísmo, dizem eles, consiste exatamente em eliminar todas as desigualdades.
Já isto torna absolutamente importante para nós combatermos o igualitarismo, por causa dos efeitos religiosos que este tipo espera de uma ordem de coisas completamente igualitária. Ele exagera esses efeitos. Uma ordem de coisas completamente igualitária não conseguiria impedir que o homem pensasse em Deus, na sua grandeza etc. Mas compreende-se que uma ordem de coisas feita para fazer evaporar a ideia de Deus tome o igualitarismo como pretexto, e que, portanto, para impedir que esta tentação tome corpo, é preciso combater o igualitarismo.
Esta é a razão de índole religiosa – portanto, a mais profunda – que leva a TFP a combater tão vigorosamente o igualitarismo.
Isto posto de lado, nós analisamos o seguinte: qual é o grande apoio do igualitarismo no mundo moderno?
Não tem dúvida nenhuma de que a História nos mostra isto: o comunismo só progrediu porque teve o apoio de alguns grandes capitalistas “sapos”, principalmente norte-americanos, que conseguiram quantias de dinheiro sem conta para sustentar o regime comunista.
Eu falei com várias pessoas, quando estive na Europa, pessoas anticomunistas que viviam em regime comunista e me apresentavam a situação assim – de mais de um desses países comunistas, Checoslováquia, Polônia, Rússia, não era de um país só – apresentavam a questão da seguinte maneira:
“Nós estamos aqui quase arrebentando de fome. A fome está chegando a um ponto tal, que as multidões, tangidas pela fome, se levantarão para derrubar o comunismo. E neste sentido (me diziam), o Sr. que tendo contacto com elementos anticomunistas do seu país ou de outros países, o Sr. pode transmitir o nosso desejo. Nós, anticomunistas, nós nos queremos antes de tudo ver livres do comunismo. Ainda que tenhamos que morrer de fome vários de nós, nós damos a nossa morte por bem empregada desde que o comunismo caia.
“É mais ou menos como gente que vai fazer uma revolução anticomunista e que sabe que pode morrer nessa revolução, mas dá a sua vida por bem empregada para o comunismo cair.
“Aqui no caso não se trata de cair debaixo da metralha, mas trata-se de cair pela fome. Se alguns de nós tivermos que morrer de fome, deixem-nos morrer, mas, por favor, não nos mandem alimentos, não nos mandem coberturas nem proteção contra o frio, porque isto que vocês supõem que alivia a nossa situação, de fato alivia a situação do comunismo! Faz entrar o indispensável para que a massa não se revolte, e por causa disso é que o comunismo vai vivendo. Os doadores de recursos mínimos indispensáveis para que não se morra de fome, esses doadores de fato evitam a morte do comunismo. Por causa disso, por favor, não nos envie nada, deixe-nos estourar de fome. Estourará conosco o comunismo e nossas pátrias conhecerão um outro dia de amanhã!”
Eu não sei se exprimo bem o pedido dessa gente. Eu acho esse pedido tão lógico, tão coerente e formulado com tanta elevação de espírito, que eu não posso compreender que uma pessoa não entenda esse pedido e que não adira a ele.
Ora, o que se passou durante todo o tempo que o comunismo esteve em vigor na ex-URSS, foi que, quer para as várias repúblicas cuja federação, à metralhadora e a machado, constituía o feixe de repúblicas da tal “União” Russa Socialista Soviética, quer os países extrínsecos teoricamente à Rússia, como a Polônia, como a Checoslováquia, a Hungria, Lituânia, Estônia, Finlândia, Ucrânia, Romênia e tudo o mais, todos esses países estavam debaixo do regime comunista e para eles todos teria sido conveniente que não mandassem víveres.
Durante todo o tempo se mandou víveres para essa gente, e durante todo o tempo foi o capitalismo ocidental que alimentou o comunismo nesses países. Isso é uma coisa que não pode sair de nossos espíritos de tão claro que é.
Fala-se hoje em dia de montar uma Nuremberg contra o Gorbachev. Eu acho excelente, mas eu quereria uma Nuremberg quase que em cada país do mundo, para explicar como é que esse raciocínio tão simples, que deve ter chegado – como chegou a mim falando com pessoas de base, não eram pessoas de cúpula – deve ter chegado a pessoas de cúpula monetária, política, publicitária internacional forçosamente. Como é que eles foram insensíveis a esse clamor daqueles que preferiam morrer a continuar sob o jugo comunista?! Isso é uma coisa que seria preciso explicar.
O fato concreto é que depois, quando existir o Reino de Maria, nós deveremos nós montar a nossa Nuremberg para emitir juízos históricos, para que esses grandes crimes sejam conhecidos por todas as gerações do Reino de Maria, para se ver o ateísmo e a decadência religiosa que precedeu e causou o ateísmo, até onde projetou os seus efeitos sinistros, e que imensidade de desgraças, de miséria e de pecados existiu por causa desta coligação de magnatas riquíssimos com gente da nomenclatura desses vários países, constituindo uma verdadeira opressão sobre a Humanidade.
Ora, acontece que foram duas as razões pelas quais o Ocidente se prestou a essa política com o comunismo.
A primeira razão foi que eles não tinham nem de longe o fervor religioso, nem as crenças e as convicções religiosas capazes de lhes fazer ver a maldade intrínseca do ateísmo, e a eficácia de propaganda ateia promovida pelo estabelecimento sistemático de uma cultura e de um ambiente igualitário.
A segunda coisa é que eles também tinham uma simpatia pela ideia da igualdade. Os próprios ocidentais e os “sapos” ocidentais, os mais ricos, os mais poderosos, viviam na desigualdade, viviam da desigualdade, mas eram adoradores da igualdade. E, portanto, ao mesmo tempo que eles se beneficiavam das vantagens “sapas” do vidão plutocrático, eles mantinham o espírito na imaginação toda teórica de um mundo igualitário que eles esperavam que aos poucos fosse se estabelecendo no mundo e que lhes parecia o mundo ideal. A igualdade, a abolição das classes sociais, lhes parecia um mundo ideal.
Isso eu creio que também está claro. Aliás, foi cem vezes dito entre nós, eu estou só repetindo porque convém sempre repetir.
Há um outro elemento dentro disso, que é o seguinte: o fator norte-americano. Os Estados Unidos representaram – principalmente depois da II Guerra Mundial, mas de fato desde o começo desse século ou até de fins do século passado – o próprio êxito de um país moderno.
Quer dizer, em comparação com o progresso tão brilhante da Europa, tão esfuziante da Europa, sobretudo brilhante e esfuziante antes da I Guerra Mundial, mas que continuou a sê-lo em alguma medida entre as duas guerras – entre 1918, fim da I Guerra Mundial, e 1939, que foi o começo da II Guerra Mundial – e ainda continuou a ser brilhante por vários aspectos na Europa de nossos dias, a tal ponto que a Europa vive cheia e abarrotada de turismo a mais não poder. Quem atrai tanto assim, brilha, porque o que brilha atrai: logo, o que atrai brilha. A conclusão é que esse brilho todo da Europa é um brilho muito menor aos olhos de um número incontável de pessoas, do que o brilho dos Estados Unidos.
Por duas razões:
Em primeiro lugar porque representa um êxito que vai cada vez mais para a frente, cada vez mais máquinas; máquinas produzindo coisas cada vez mais requintadas. Mas não requintada para o rico, requintada para o pobre, dando para o pobre uma espécie de luxo de pobre – mas que é luxo – em quantidade para todo o mundo, proporcionando para o país no seu conjunto a possibilidade de armar-se, a possibilidade de se dotar de hospitais, de universidades, de meios de transporte e de tudo aquilo que faz o conforto e a segurança da vida como nenhum outro país tem. Isso tudo aproveitando um território imenso e as riquezas colossais contidas nesse território, aproveitadas a fundo.
Por exemplo, se é verdade o caso que me contaram, a nossa atitude perante esse caso não representa o espírito norte-americano.
Eu ouvi dizer que em recentes escavações feitas na Avenida Paulista, não sei bem para quê, se encontraram veios de ouro. E que foi mandado murar com cimento toda a parte onde se encontrou veio de ouro, para não atrapalhar o trânsito e para não trazer problema de querer derrubar aquelas casas para tirar o ouro lá de baixo, enfim, subverter aquele conjunto de horrendos bibelôs de cimentos que veio a ser a Av. Paulista.
Não seria a atitude norte-americana. [A atitude deles] seria de fazer uma prospecção, ver se tem ou não tem ouro e em que quantidade tem. Se é numa quantidade muito abundante, escavam galerias subterrâneas não sei de que jeito, escoram esses prédios de apartamento não sei de que jeito, tiram o ouro, conservam o prédio e o progresso vai para a frente.
Isso deslumbra, isso causa uma espécie de entusiasmo. E entusiasmos desse gênero os Estados Unidos causaram de toda a ordem e de toda a espécie no mundo inteiro – de um lado.
De outro lado, o igualitarismo norte-americano afirmado de todos os modos possíveis: uma sociedade onde todo o mundo é igual, onde todos se tratam com igualdade, onde existe de fato uma diferença de fortunas.
Mas essa diferença de fortunas é até real, mas pesa muito menos no convívio humano do que pesa, por exemplo, entre nós. O pobre e o rico são muito menos diferentes entre si e se tratam com muito menos desigualdade, por exemplo, do que entre nós. Então um milhardário norte-americano e um engraxate norte-americano, entre eles há uma diferença monetária enormemente maior do que entre os seus análogos brasileiros, mas os análogos brasileiros se tratam com mais desigualdade do que os padrões norte-americanos.
Tudo isso dando a entender que a sociedade americana vai desenvolver-se cada vez mais para uma igualdade maior. Tudo isso dando a entender que o êxito norte-americano é fruto de uma sociedade igualitária, e que, em profundidade, a causa do êxito norte-americano é em grande medida o igualitarismo, de onde uma grande simpatia pelo igualitarismo.
Aqueles dos Srs. que conhecem gente pensando assim, levantem o braço. É a sala inteira.
Logo, [derrubar a tese de que o progresso norte-americano se deve à igualdade, provando que a sociedade] americana não é igualitária, que ela, pelo contrário, é hierárquica e que há um disfarce dessa situação, e que, na realidade, não só essa sociedade é hierárquica, mas que toda sociedade é hierárquica, não há uma sociedade que viva sem hierarquia, e que um dos elementos para o bem de uma sociedade é a hierarquia – isto é propriamente a ponta de alabarda voltada contra os nossos adversários igualitários.
Agora, isso sustentado por pessoas que pertencem a países que não participam do progresso norte-americano, ou sustentado por pessoas que não estão dentro da “American way of life”, isso tudo impressionaria pouco. Mas acaba acontecendo que existe nos Estados Unidos uma escola moderna de sociologia de grande impulso, grande desenvolvimento, e que sustenta essas teses, e cujos autores são professores universitários e escritores de grande nomeada nos Estados Unidos de hoje, e que derrubam com argumentos muito bons a tese de que os Estados Unidos são uma sociedade igual.
Eles são uma sociedade desigual, que apenas para não chocar de frente o tabu da igualdade, disfarçam ou chegam até certo ponto a ocultar as verdadeiras desigualdades existentes. E que essas desigualdades são hereditárias, e constituem uma verdadeira elite norte-americana do gênero do que eu chamo no livro da nobreza “elites análogas à nobreza” de que trata Pio XII nas suas alocuções à nobreza e ao patriciado romano. Ele fala dessas elites análogas, a utilidade que elas têm, a necessidade segundo a doutrina social católica etc.
De maneira que entrando nós com muitas citações disso, nós entramos com uma verdadeira “panzer Division”, divisão de tanques. E estivemos analisando magnificas citações deste gênero que nos levaram a este atraso.
Eu tenho a impressão de que isto leva o Pe. Olavo, Dom Luís e os Srs. todos a uma certa indulgência [para com este atraso], que não é o atraso do relaxamento nem da displicência, e muito menos do ócio, mas é o atraso em alguma coisa onde podemos encontrar indulgência para o nosso atraso para corrermos mais depressa na linha essencial da ofensiva.
Com isso eu levei muito tempo e já são dez e vinte. Nós daqui a pouco temos que terminar a reunião, mas vamos ver algumas coisas a respeito dos nossos assuntos.
Notas:
Igualitarismo, ateísmo e Revolução – A hierarquia como reflexo da ordem querida por Deus. Eis alguns dos principais temas abordados neste Santo do Dia (de 14-10-1992) por Plinio Corrêa de Oliveira, a propósito do livro que estava escrevendo e que foi publicado em 1993: “Nobreza e elites tradicionais análogas nas alocuções de Pio XII ao Patriciado e à Nobreza romana”
E mais especificamente sobre o apêndice à versão americana dessa mesma obra: “ESTADOS UNIDOS: NAÇÃO ARISTOCRÁTICA NUM ESTADO DEMOCRÁTICO“.
A respeito da nobreza em geral, consulte a coletânea de documentos dedicados ao tema.