Comentando… – Legionário, 9 de junho de 1946, pag. 2 / Liquidação do império britânico = restauração do império islâmico, o mais visceral inimigo da Cristandade

Plinio Corrêa de Oliveira, diretor do “Legionário”

Um dos fenômenos mais palpitantes deste mundo após a guerra é, sem dúvida, o declínio da Inglaterra e a liquidação do seu Império. Torna-se evidente a Grã Bretanha, tendo atingido o zênite ao fim da era vitoriana, começou a declinar a partir da primeira Guerra Mundial. Este declínio é, agora, um fato patente, sendo a Inglaterra, indubitavelmente, menor do “Big Three”. Um dos sintomas eloquentes desta decadência foi a vitória trabalhista.

A organização socialista que vem sendo imprimida à sociedade inglesa é própria dos povos cansados e exauridos, que não têm mais fé em si mesmo, que perderam o gosto pelos riscos e pelas aventuras, e cuja alarmada preocupação está monopolizada em torno da manutenção e resguardo da vida vegetativa. Com semelhante espírito, jamais o povo inglês teria conquistado o Império. A segurança total do Plano Beveridge denota esta carência de “élan”, este cansaço, este desejo de aposentadoria. O socialismo é a organização dos povos envelhecidos.

Consequência disto, e por sua vez outro alarmante sintoma da decadência britânica é a liquidação do Império, que ora se processa. Ainda agora, a propósito da demissão inglesa no Oriente, principalmente em relação aos povos muçulmanos, o sr. Harold Laski escreveu um artigo contra Churchill o qual, demonstrando ser de mais autêntica têmpera britânica, não se mostra satisfeito com o curso dos acontecimentos.

O sr. Laski procura defender a política de seu partido e demonstra que não fica bem que a Inglaterra mantenha o controle sobre os povos árabes. Neste sentido, o presidente do Partido Trabalhista acumula uma porção de razões bem comportadas. Nunca se ouviram por parte de um responsável pelos destinos de uma nação dominante tão “sages propos” [observações tão prudentes]. Apenas, quando os dirigentes de uma nação dominante começam a pensar assim é sinal de que o domínio está prestes a findar.

Ora, isto é um dos passos mais importantes para a efetivação da revolução muçulmana, que se agencia presentemente. Sem a retirada espontânea do controle inglês, jamais o islã poderia realizar o seu sonho de restauração. E a restauração do império islâmico que a política trabalhista inglesa vai tornar possível, significará o renascimento do mais fidagal [inviscerado] inimigo da Cristandade, que a teria certamente destruído, se a Cristandade fosse destrutível. Contra este inimigo lutaram Carlos Magno, as Cruzadas, o Sacro Império, São Pio V, até reduzi-lo à impotência. A favor dele estiveram todos os inimigos da civilização Cristã, desde Lutero até o sr. Harold Laski.

Que será das Missões, quando Maomé tiver um império que irá do Oceano Atlântico ao Oceano Índico atravessando a África e a Ásia? E, no entanto, este mal incalculável não será o pior dos males.

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